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Crónica

Doze coroas, uma só paixão: Angola campeã do Afrobasket 2025

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Noite de domingo, 24 de Agosto de 2025. O Pavilhão Multiusos do Kilamba foi mais do que uma arena de basquetebol  tornou-se o palco da história, o altar onde o Cinco Nacional voltou a erguer-se como potência continental. Diante de um Mali brioso e ambicioso, os angolanos não tremeram: venceram, convenceram e, sobretudo, emocionaram. O ouro voltou a casa, pela 12ª vez.

Foram semanas de suor, disciplina e coração. Angola não perdeu um único jogo nesta edição do Afrobasket. Cada posse de bola parecia carregar não apenas o peso da vitória, mas também o fardo de um povo que respira basquetebol como identidade cultural. Das arquibancadas às ruas de Luanda e do Huambo, do Namibe ao Uíge, o país inteiro pulsava com cada drible, com cada lançamento convertido, com cada defesa cerrada.

E se o colectivo funcionou como uma máquina bem afinada, houve nomes que se inscreveram definitivamente na eternidade. Childe Dundão, pequeno no tamanho mas gigante na alma, foi eleito MVP do Afrobasquete 2025. O seu nome ecoará muito além das nossas fronteiras, como o símbolo da resiliência e do génio angolano. Ao seu lado, o pódio individual reconheceu também figuras de outras nações: Brancou Badio, o senegalês endiabrado, melhor triplista e cestinha da prova; e o maliano Aliou Diarra, dono das tabelas, o melhor ressaltador.

O cinco ideal da competição confirmou a riqueza de talento espalhada pelo continente:

Childe Dundão (Angola)

Brancou Badio (Senegal)

Aliou Fadiala Diarra (Mali)

Bruno Fernando (Angola)

Mahamane Coulibaly (Mali)

Mas o Afrobasket não é feito só de estatísticas. É feito de histórias, de bastidores, de paixão. E nesse aspecto, a Rádio Correio da Kianda foi protagonista silenciosa mas essencial. Acompanhou cada capítulo: antes, durante e depois de cada jornada. Fez diários, contou passos, levou emoção à casa de quem não podia estar no pavilhão. Em tempos de correria mediática, poucas rádios ousaram mergulhar de corpo e alma nesta competição. A Correio da Kianda fê-lo, e isso também é vitória.

Com este título, Angola reafirma-se como o verdadeiro colosso africano: são 12 troféus desde 1989, deixando para trás gigantes como Senegal, Egipto e Tunísia. Depois de anos em que o trono esteve nas mãos tunisinas, o regresso angolano marca não apenas uma conquista desportiva, mas também um recado: o basquetebol africano pode mudar, mas Angola nunca deixará de ser referência.

No fim, quando a buzina final ecoou, não foram apenas os jogadores que choraram. Choraram os técnicos, os dirigentes, os jornalistas, o público. Chorou o povo que viu naqueles 40 minutos a reafirmação de que a glória pode ser cíclica, mas o ADN vencedor nunca morre.

Madagáscar levou o prémio de Fair Play, mas a festa maior foi nossa. Angola não apenas venceu  Angola inspirou.

E no amanhã, quando o mundo recordar este Afrobasket 2025, haverá duas certezas:

1. O nome Childe Dundão como símbolo de genialidade.

2. O renascimento do Cinco Nacional, que voltou a sentar-se no trono, de onde nunca deveria ter saído.

Porque afinal, como já se diz nas ruas, o basquetebol em África fala angolano.

E para mim, foi mais do que jornalismo: foi um privilégio e um orgulho imenso fazer parte desta história, da pátria que me viu nascer.

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