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Sociedade

Doenças diarreicas “esgotam” estoques de medicamentos de farmácias no Zango

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Como se não bastasse a preocupação com a covid-19 e a malária, as recentes chuvas que estão a cair, quase que diariamente em Luanda, estão a trazer mais uma preocupação aos moradores: o perigo eminente de uma epidemia de cólera, doença que causa diarreia profusa e vómitos, que podem levar à morte por desidratação intensa, por vezes, em questão de horas.

Sintomas semelhantes aos da doença vêm sendo descritos por vários cidadãos, que recorreram às farmácias do Zango em busca de medicamentos, nos últimos dias. A equipa do Correio da Kianda percorreu diversas farmácias da região, nesta quinta-feira, 15, e em quase todas, a resposta foi a mesma: “acabou todo o estoque de medicamentos utilizados para combater doenças diarreicas”.

“Desde domingo, praticamente não estamos a sentar. Tem um surto de ‘cólera’ na região do Zango e de Viana. Todo nosso estoque de Metronidazol, Bactrim e soro oral acabou”, disse a atendente de uma farmácia, enquanto conversava com outros dois clientes que estavam à procura de medicação para combater os sintomas descritos anteriormente, os quais a mesma dizia ser similar aos da cólera, informação que a nossa redacção está a apurar junto das autoridades sanitárias da região.

Preocupados, o medo de ter que enfrentar mais uma doença letal é visível nos olhos dos que estão a buscar auxílio. Uma senhora, que não quis identificar-se disse que na sua casa, todos estão com os mesmos sintomas: dor de barriga, diarreia aguda e febre.

De acordo com informações divulgadas pela organização Médicos Sem Fronteiras, a cólera geralmente surge em contextos que envolvem superlotação e acesso inadequado à água limpa, colecta de lixo e banheiros. Cenário recorrente na cidade capital que agravou-se desde a suspensão do contrato com as operadoras de recolha de lixo em Luanda, em Janeiro de 2021.

No dia 23 de Fevereiro último, o Presidente da República autorizou o incremento de um valor adicional ao Orçamento Geral de Estado 2021, de 27.958.127.000,00 (vinte e sete mil milhões, novecentos e cinquenta e oito milhões, cento e vinte e sete mil kwanzas), para o pagamento das despesas para a prestação de serviços de limpeza pública e recolha de resíduos sólidos na província de Luanda.

A 29 de Março, sete novas operadoras de limpeza, designadamente, ELISAL-EP, indicada para os municípios de Luanda e Cazenga, a ER-Sol (Icolo e Bengo), Sambiente (Quiçama e Viana), Multilimpeza (Cacuaco), Jump Business (Belas), Chay Chay (Kilamba Kiaxi) e o Consórcio Dassala/Envirobac (Talatona), assinaram contrato com o GPL para resolverem a problemática do lixo na capital, contudo, até o momento, os cidadãos queixam-se de que a promessa está apenas no papel.

Os excessos de casos de diarreia aguda também preocupam os moradores da Centralidade do Sequele. Recentemente, o Correio da Kianda publicou que o administrador daquela centralidade negou que 1686 pessoas teriam dado entrada no Hospital Distrital, entre os dias 1 e 11 de Março, com quadro de diarreia aguda devido a uma contaminação causada pelos elevados amontoados de lixo naquela centralidade do município de Cacuaco.

Administrador do Sequele desmente rumor de existência de casos de diarreia por causa do lixo