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Opinião

Diziam os mais velhos: “ché menino, não fala política!”

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Contrário ao que aos mais velhos do outro tempo recomendavam aos mais novos — para não falarem política — os mais velhos deste tempo incentivam. E os incentivos têm ganhado outros actores.

Recentemente, muitos insurgiram-se contra o político e empresário do Cunene, Francisco Lubamba, por proibir que os funcionários da sua rádio (Rádio Lumbamba) falassem de política.

Ninguém se interessou em olhar para à linha editorial daquela estação emissora, criada fundamentalmente como rádio-escola, da qual o proprietário esperava que falasse de economia, desenvolvimento, etc., menos de política.

Acto contínuo deu-se em Fevereiro deste ano, quando o ministro das Telecomunicações, Tecnologia de Informação e Comunicação Social, Mário Oliveira, disse algo que todos os órgãos de comunicação social precisavam ou mereciam ouvir, aquando da sua intervenção na cerimónia que marcou os 15 anos do Novo Jornal.

De concreto, o ministro disse que os órgãos de comunicação social consomem e perdem muito tempo a falar de política, quando deveriam focar-se noutros temas da sociedade.

Como se sabe, os órgãos de comunicação têm responsabilidade social. E a educação dos cidadãos é uma delas.

Aliás, não foi por acaso que o ministro de tutela lamentou, naqueles termos, com uma mensagem muito profunda, para quem tem ouvidos apurados.

Há algum tempo, não muito longe, o professor mestre João Afonso disse que precisamos olhar para a educação de forma holística.

E para tal não basta a academia. É preciso convergir com outros contribuintes, pois quem é de facto educado, não constrói no beco nem na linha d’água, por exemplo.

A educação de que implicitamente se referiu o ministro é semelhante àquela dita pelo professor mestre João Afonso: holística. Essa educação absorve-se a partir de casa, no seio familiar, e na sociedade, através  dos meios convencionais.

Hoje, os tempos são outros. E correm mais rápido que no passado. Portanto, precisamos construir com urgência o homem novo. Um homem transformado num activo transformador. Um homem educado, não apenas a base da política

Precisamos falar e olhar noutras matérias que propiciam o crescimento e o desenvolvimento sustentável. E os órgãos de comunicação têm nisso um papel crucial, atingirem vários segmentos.

Os programas de educação moral, de promoção da cidadania, de educação financeira, de cultura e artes, de incentivos as pequenas e médias iniciativa económicas, as rubricas e as rádios novelas devem preencher as redações.

O ministro Mário Oliveira proferiu aquelas palavras na esperança dos profissionais da comunicação apostarem na educação moral dos cidadãos, por entender que esses órgãos, públicos e privados, ocupam demasiado do seu tempo com questões de ordem política.

O Governo, por seu lado, entendeu desencadear um conjunto de acções, tendentes a moralizar a sociedade, porque se sabe que um dos problemas com que nos defrontamos tem a ver com a educação das pessoas.

Luanda, por exemplo, está numa campanha de reorganização que necessita da colaboração de todos.

Muitas zonas urbanas estavam a caminhar para à desordem. Foram, portanto, definidas balizas para a reposição da legalidade e normalidade. E estão a ser executadas com sucesso, felizmente.

Acabar com as ocupações ilegais de espaços públicos, vendas desordenadas, lavagem de viaturas em locais impróprios e tantas outras transgressões administrativas, é o objectivo.

E o papel dos órgãos de comunicação social é fundamental para o sucesso dessa campanha, mas certas rádios, jornais e portais não falam, não apoiam as medidas nem desincentivam as más práticas, por via da educação moral dos cidadãos. Só querem falar de política.

E assim não chegamos lá. Não conseguiremos, desta forma, construir o homem novo. Urge mudarmos de postura, para construirmos uma Angola nova e um homem novo, olhando além da política.

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