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O que dizem, então, os analistas?

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As sondagens indicam que Marine Le Pen perderá numa segunda volta das eleições presidenciais contra Emmanuel Macron ou François Fillon, facto que, para o analista do Crédit Agricole, ajuda a explicar a “relativa” resistência recente da taxa de câmbio do euro. Valentin Marinov aconselha “prudência”, apesar de tudo, e adianta que a saída de França do euro seria um processo “longo e complexo” e exigiria uma revisão constitucional. Para o analista do banco francês, as hipóteses de Le Pen ascender à presidência no desfecho da segunda volta das eleições são de 35%.

 François Cabau, Barclays

As hipóteses de uma vitória da candidata da extrema-direita são “muito, muito escassas”, refere François Cabau, economista no Barclays. O analista do banco britânico adianta que o cenário poderá ser mais otimista para as ambições de Le Pen no caso de o adversário na segunda ser um destes dois: Benoit Hamon ou Jean-Luc Melenchon. Também este analista considera que a possibilidade de a Frente Nacional obter uma maioria nas eleições legislativas que se seguem à presidenciais é “improvável”. Deste modo, Le Pen teria de governar em coabitação, não teria oportunidade de governar de acordo com o respetivo programa e enfrentaria dificuldades em fazer uma revisão constitucional.

 Erik Nielsen, UniCredit

Existe “um certo risco” de Marine Le Pen vencer as eleições presidenciais, refere Erik Nielsen. O analista do banco italiano UniCredit recorda que todas as sondagens colocam a líder da Frente Nacional numa segunda volta e que, a partir do momento em que a luta é “um contra um, nunca se sabe o que vai acontecer”. Niesen afirma que o cenário de uma retirada da zona euro por parte de França permanece como um cenário de “risco muito baixo” já que, uma vez mais, são reduzidas as possibilidades de vir a conseguir uma maioria nas legislativas. Erik Nielsen acrescenta que continua a existir no país uma maioria a favor da permanência entre o grupo de países que partilham a moeda única.

 Joerg Kraemer, Commerzbank

As hipóteses de Marine Le Pen vir a ocupar a presidência de França resumem-se a 20%, de acordo com Joerg Kraemer, economista que trabalha para o Commerzbank em Frankfurt, cidade onde se localiza a sede do Banco Central Europeu. Caso a candidata alcance o objetivo, é “provável” que o país abandone a zona euro, considera o analista do banco alemão que acrescenta: “sem o peso político e económico” de França, é “improvável que o resto da zona euro sobreviva”. Uma vitória de Le Pen, adianta Kraemer, “provocaria uma fuga de capitais maciça, não apenas a partir de França, mas também para fora de países periféricos como Itália”. Seguir-se-ia a imposição de controlos de capitais e de “feriados bancários” que representariam o “princípio do fim” da União Económica e Monetária.

 Andrew Cates, Nomura

Andrew Cates, analista do Nomura considera que nenhuma sondagem sobre qualquer dos países europeus onde se realizam eleições em 2017, como são os casos de França, Alemanha e Holanda, aponta para grandes hipóteses de haver “choques anti-sistema” e qualquer candidato com esta característica enfrentaria, potencialmente, “formidáveis obstáculos legislativos” para concretizar políticas anti-União Europeia. Outro analista do banco japonês, Charles St-Arnaud, referiu, numa nota enviada aos clientes, que o cenário admitido pelo banco japonês é o de que Emmanuel Macron será o sucessor de François Hollande na presidência francesa, mas que o partido deste candidato não terá maioria na Assembleia Nacional de França.

Para este economista do Nomura, as possibilidades de Marine Le Pen vir a ser a próxima inquilina do Palácio do Eliseu “são baixas” mas a hipótese não deve ser negligenciada. O analista acredita que Le Pen seria forçada a um período de coabitação e que uma eventual saída de França da zona euro seria decidida pelas instâncias judiciais que, admite Charles St-Arnaud, poderiam optar por impor a realização de um referendo.

Raphael Brun-Aguerre, JPMorgan Chase

É “fortemente provável” que Marine Le Pen consiga ir à segunda volta das eleições presidenciais, mas a candidata deverá perder por uma margem “decente”, seja qual for o oponente, diz Raphael Brun-Aguerre. O analista do JPMorgan Chase sublinha, também, que, mesmo em caso de vitória, Le Pen não conseguirá uma maioria nas eleições legislativas, o que reduzirá a capacidade para concretizar um eventual abandono de França da zona euro.

Fonte OBSERVADOR

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