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Sociedade

Director interino provoca tumulto na cadeia central do Moxico

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Uma forte briga, que envolveu reclusos dos serviços prisionais do Moxico e membros de direcção do estabelecimento prisional, desde domingo último, gerou um tumulto apaziguado hoje (segunda-feira) pelo vice-governador para o Sector Político, Económico e Social, Carlos Alberto Masseca.

O governante, que se fazia acompanhar de membros de uma delegação multissectorial, após se inteirar da situação que gerou o imbróglio, sensibilizou as partes beligerantes, garantindo a calma e tranquilidade na unidade prisional.

Ao falar à imprensa, o prisioneiro Mariano Andrade Simões explicou que a briga foi originada pelo desentendimento entre o director interino dos serviços penitenciários que, na tentativa de receber um objecto cortante (espelho), em posse de um dos reclusos, e este, furtando-se do pedido, levou à desavença.

Entretanto, um grupo de reclusos, ao resistir à orientação do responsável do estabelecimento, fez com que o director interino pedisse a ajuda à Polícia de Intervenção Rápida (PIR) que iniciou a lançar “gazes lacrimogéneos”, acabando por afectar toda a unidade prisional, relatou o recluso.

Aflitos, na tentativa de escaparem das substâncias tóxicas, os reclusos protagonizaram actos de vandalismo até ao ponto de romperem uma das portas que dá acesso ao pátio da instituição, mas sem intenção de fuga.

O director interino dos serviços penitenciários, Gabriel António Domingos Major, afirmou que o facto ocorreu quando um dos reclusos, no final da hora de visita, resolveu levar consigo o espelho no interior penal.

Por considerar tal procedimento improcedente, e na tentativa de o receber, o recluso escusou-se, situação que obrigou a mobilizar a ordem de segurança com o intuito de negociar com o mesmo, referiu.

“Quando a Policia de Intervenção Rápida foi ao encontro do recluso em causa, os outros que se encontravam no refeitório fizeram má interpretação do acontecimento e tentaram fazer invasão da porta, mas conseguimos controlar a situação” contou o responsável.

Falta de formação e morosidade no tratamento dos casos, são as preocupações apresentadas pelos reclusos.

De acordo com o recluso Nelson Augusto, na penitenciária, há presos que, mesmo depois de terem cumprido a metade da pena maior, foram condenados e pagaram as respectivas multas, embora o tribunal negue conceder a liberdade condicional que a lei prevê.

Denunciou, por outro lado, que, durante os oito anos, desde que foi condenado e a cumprir a pena naquela unidade prisional, nunca recebeu qualquer formação académica e técnico-profissional.

 “Estou aqui há oito anos, nunca tive formação, como será a minha vida depois da soltura”, questionou o recluso, desabafando que essas circunstâncias podem obrigá-lo a cometer mais crimes e voltar, novamente, para a cadeia.

Corroborando a mesma opinião, o recluso António Cahilo Marcelino, condenado a 13 anos de prisão, afirmou ver, também, a sua vida ameaçada no período pós-prisão, por falta de aperfeiçoamento dos conhecimentos técnico-profissionais.

Por seu turno, o prisioneiro Mariano Andrade Simões disse já ter cumprido a pena de dois anos a que havia sido condenado, por encobrir um assalto, e que um mês depois de ter terminado a pena, ainda continua encarcerado, sem saber o motivo.

Em resposta, o vice-governador provincial considerou que a falta de formação académica e técnico-profissional, na instituição prisional, será solucionada com a conclusão das novas instalações dos serviços prisionais que estão a ser construídas na localidade do Boma (cerca de 30 quilómetros a sudeste do Luena), uma vez que a actual não possui condições para tal.

Quanto aos demais problemas sociais apresentados pelos presos, Carlos Alberto Masseca prometeu que a delegação do Interior, em parceria com o governo provincial, vão nos próximos tempos, procurar encontrar algumas soluções viáveis.

O estabelecimento prisional do Moxico, construído na era colonial, tem capacidade para albergar 250 pessoas, mas, neste momento, acolhe 300 reclusos que cumprem penas de diferentes períodos.