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Desenvolvimento económico e acidentes rodoviários

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Por: Victor Hugo Mendes

Todos os dias são vários os relatos aqui e acolá, de que uma, ou mais pessoas, terão perdido a vida num acidente de viação.

Esta notícia que para muitos é recebida como sendo mais uma, é igualmente uma das causas que em muito contribui para refrear o avanço da nossa economia.

Os acidentes rodoviários em Angola são a segunda causa de morte depois da malária e provavelmente não deve estar longe o dia em que iremos ouvir que os números da sinistralidade ultrapassaram todas as doenças.

De braços dados com a sinistralidade rodoviária, anda a questão do analfabetismo. O que se diz é que Angola inverteu nos últimos anos a taxa de alfabetização de 35 para 70 por cento, no quadro de um ambicioso projecto destinado a erradicar o analfabetismo no país até 2025.

Apesar de tudo isso, o país vê-se cada vez mais bloqueado para avançar devido ao alto índice de acidentes de viação, analfabetismo e agora com a derrapagem da crise econômica financeira, aumenta a taxa de desemprego que atinge sobretudo a população jovem entre os 15-24 anos, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística. As portas das eleições, a taxa de desemprego dispara forte e feio deixando muitos sem opção.

Nem a rezar os números mudam. 

A taxa de desemprego é a razão entre o número de desempregados e o número de pessoas economicamente activas, sendo que este indicador representa a amplitude da força de trabalho disponível e não utilizada no país. Mas há mais, há gente com força, determinada e com conhecimento suficiente e capaz de contribuir para o desenvolvimento do nosso pais, que perdem a vida num acidente de viação.

E os motivos são vários. Falta de iluminação, estrada em elevadíssimo estado de degradação com buracos por todo lado, viaturas mal conservadas, ausência de sinalização quer na vertical bem como na horizontal, excesso de velocidade e o consumo de

Bebidas alcoólicas. 

É pouco provável que Angola volte a registar um crescimento na sua economia como foi entre 2004 e 2008, com números a chegar aos 17% ao ano. Com isso foi possível reabilitar quilômetros e quilômetros de estradas que hoje deixam qualquer um, bastante incrédulo ante a sua completa degradação em menos de 10 anos.

O estranho é que ninguém é responsabilizado pelo tenebroso fracasso de um bilionário investimento que pela sua pobre qualidade contribuem também para o aumento da sinistralidade rodoviária, ceifando vidas que hoje estariam a dar o seu contributo nas diversas áreas que compõem o universo profissional do país.

Depois de 2008, o speed da nossa economia perdeu todo gingunzo e baixou 2,4% em 2009 e 3,4% em 2010, de acordo com o FMI.

Mas infelizmente, as nossas estradas, continuam a engolir vidas inocentes por causa da sua degradação, irresponsabilidade dos condutores e a conivência de quem devia fiscalizar o estado físico das viaturas. Fechamos os olhos, bebemos uma bitola e mesmo com sal na gasosa, milhares de cidadãos em idade activa juntam os pês mais cedo e estrangulam todos planos familiares. Quantos engenheiros, doctores, professores, técnicos e muitos outros quadros, terão morrido em consequência da sinistralidade rodoviária.

Quando se debate sobre a sinistralidade rodoviárias, ouvimos ideias fortes, mas que na prática quase nada que se vê. Ouvimos apenas os números da sinistralidade em franco disparo.

Ainda vamos a tempo de salvar mais vida.

Mais do que cumprir com as regras do Código de Estrada e o não conduzir sob o efeito de bebidas alcoólicas, é importante que o novo investimento na reabilitação das estradas principais, seja de grandiosa responsabilidade e que a sua qualidade não deixe a dever nada se compararmos as estradas da namíbia para não dizer de Portugal um irmão que as vezes parece inimigo.

Caso não sejam tomadas medidas imediatas, a morte em acidentes rodoviários vai ser a quinta causa de mortalidade mundial em 2030, alerta a Organização Mundial da Saúde

No período entre 1993 e 2002, foram registados 45.388 acidentes, que resultaram em 9.377 mortes e 34.484 feridos.

No período entre 2003 e 2013, ocorreram 130 mil acidentes, que provocaram 29.462 mortes.

Os números falam por si. E que se fez e o que não se fez mesmo de depois de bonitas promessas.

Falar de sinistralidade rodoviária no nosso país, é falar de um dos assuntos que mais fere a alma humana. Angola ocupa a quinta posição na taxa de sinistralidade rodoviária a nível da região da SADC, apresentando 23,1 por cento de casos, segundo o relatório de Análise Global da Sinistralidade – 2009/2014 elaborado pela Direção Nacional de Viação e Trânsito. Onde mais de cinquenta por cento das vítimas são cidadãos dos 15 aos 35 anos de idade.

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