Sociedade
Cuanza Sul: Gabela espera há mais de uma década por água potável
A população do município da Gabela, na província do Cuanza Sul, continua a enfrentar sérias dificuldades no acesso à água potável, apesar de um projecto de canalização iniciado há mais de 10 anos e que permanece por concluir.
No terreno, o sentimento é de frustração e abandono. Cidadãos dizem que, ao longo dos anos, ouviram promessas repetidas, mas sem resultados concretos. Enquanto isso, continuam a recorrer a água de rios, muitas vezes imprópria para consumo.
David Vieira Lopes, militante histórico do MPLA na região, considera que o problema não é técnico, mas sim de prioridade política.
“Há solução para a água na Gabela, e não é complicada. O que falta é investimento. Parece que o Governo esqueceu a Gabela e está mais preocupado com grandes obras em Luanda”, criticou.
O também cidadão alerta para as consequências directas da falta de água tratada, sobretudo na saúde pública.
“A água é vida. Sem água potável, aumentam as doenças, principalmente nas crianças. Estamos a falar de diarreias que continuam a tirar vidas todos os dias”, lamentou.
A mesma preocupação é partilhada por Domingos Lisboa, professor, que questiona a paralisação do projecto e levanta suspeitas sobre a gestão dos recursos.
“O sistema pode ser feito. A distância do rio Chilo até à vila é de cerca de cinco quilómetros. Não é uma obra impossível. Mas o projecto está parado e ninguém explica porquê”, afirmou.
Segundo o docente, a constante inclusão do projecto nos planos orçamentais sem execução efectiva levanta dúvidas.
“Fala-se sempre de água para a Gabela no Orçamento Geral do Estado, mas essa água nunca chega. Assim fica difícil acreditar”, disse, apontando possíveis desvios de fundos.
Perante as críticas, o administrador municipal da Gabela, João Carlos Marques Quintiliano, reconhece a gravidade da situação, mas assegura que há avanços e que o projecto será retomado em breve.
“Temos uma execução física de 41% e financeira de 48%. Estamos a trabalhar para reiniciar a obra nos próximos dias e melhorar o abastecimento de água no município”, garantiu.
Enquanto o reinício das obras não se concretiza, milhares de famílias continuam a viver sem acesso regular a água potável uma realidade que expõe não apenas falhas na execução de projectos públicos, mas também os impactos directos na saúde e qualidade de vida da população.
