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Angola que dá certo

Cuando Cubango: antigos combatentes têm emprego na siderurgia do Cuchi

António Cassoma

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Cerca de 1.500 antigos combatentes e veteranos da pátria, residentes no Cuando Cubango, serão enquadrados na Companhia Siderúrgica do Cuchi (CSC), cujas obras se encontram a 95 por cento de execução física e começa oficialmente a produzir o ferro gusa, em Abril de 2021.

O secretário de Estado para os Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, Domingos André Tchikanha, visitou recentemente o empreendimento e recebeu garantias, dos responsáveis da CSC, estarem asseguradas as 1.500 vagas para os ex-militares e seus dependentes, sobretudo na produção de grandes quantidades de carvão, produto fundamental para o funcionamento da fábrica.

“Temos um acordo com a empresa CSC para inserirmos os antigos combatentes, órfãos, viúvas e deficientes físicos de guerra neste imponente projecto que vai criar, na fase inicial, três mil postos de trabalho, para o aumento da capacidade de produção de ferro no país e diversificar a economia”, disse.

A CSC que tem já instalado um dos três altos-fornos para o ferro gusa e vai produzir diariamente 250 toneladas do metal, muito procurado nos mercados internacionais. Orçado em 300 milhões de dólares, a Companhia Siderúrgica do Cuchi será a primeira fábrica de fundição em Angola, que vai operar unicamente com uma fonte de energia renovável, no caso o carvão vegetal, para fundir minério.

Isso vai permitir, igualmente, a instalação de um sistema de energia termoeléctrica que absorverá os gases do alto-forno, para gerar cerca de 15 megawatts de corrente eléctrica para o empreendimento e a população da sede municipal.

Segundo o secretário de Estado, o Ministério de tutela tem vários projectos para a inserção dos associados no mercado de emprego e cuja materialização depende, em primeira instância, da organização dos mesmos, através de associações ou cooperativas de diversos ramos de actividade.

Domingos André Tchikanha referiu que pelo facto de o país estar sem capacidade financeira, os apoios serão distribuídos às cooperativas que demonstrarem maior organização e eficácia. “Por esta razão, reunimos com alguns associados na província do Cuando Cubango, no sentido de mobilizá-los para se organizarem e legalizarem os seus projectos junto do governo local, para posteriormente beneficiarem de ajuda do Ministério de tutela”, disse.

Domingos André Tchikanha informou que o Ministério controla 153 mil antigos combatentes e veteranos da Pátria. Foram criadas, até agora, 300 cooperativas, a maioria das quais está em vias de legalização junto dos governos provinciais.

No Cuando Cubango, o secretário de Estado para os Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria visitou o centro de larvicultura e engorda do Missombo, que prevê, nos próximos dias, comercializar cerca de 200 toneladas de peixe tilápia. O responsável explicou que a visita ao empreendimento visou colher experiências sobre a criação de micro e pequenas empresas de produção de peixe para os antigos combatentes e veteranos da Pátria em todas as províncias.

Outro objectivo é desenvolver essa actividade nas unidades militares, tendo em vista que em tempo de paz as Forças Armadas Angolanas (FAA) também estão engajadas em vários projectos de produção para a auto-suficiência alimentar.

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