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Sociedade

Crianças buscam comida no lixo em meio a tensão da covid-19

António Cassoma

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Crianças reviram o lixo e pedem comida nas principais ruas da Vila de Viana. Neste sábado, 23, a equipa do Correio da Kianda percorreu algumas zonas da cidade de Luanda e constatamos que várias crianças no município de Viana, por causa da pobreza, estão a recorrer aos contentores de lixo em busca de alimento.

Ao entardecer deste sábado, a nossa equipa flagrou mais de cinco crianças a andarem pelas ruas de 11 de Novembro, próximo da administração municipal de Viana, a carregarem sacos e mochilas e com vestes rasgadas: procuravam no lixo sobras de comida.

“A minha mãe e meu pai não trabalham e, neste momento, estão muito mal. A minha mãe vendia na rua, mas perdeu tudo que tinha, por isso, que procuramos comida, latas, bidons e coisas para vender”, diz o menino Leão,  “Paizinho”, de 13 anos.

O menino Fenício, 11 anos, junto com o irmão de 9, e dois amigos de 10 e 12 anos,  reviram as lixeiras e contendores em busca de comida, no principal ponto de comércio de Viana, por culpa da fome.

Um dos seus amigos confirma e diz que também pede comida, “o que sobra, o que as pessoas não comem”, para conseguir sobreviver.

Durante a entrevista com os garotos, confessaram-nos que têm percorrido longas distâncias  dos bairros periféricos deste município em busca de comida, desafiando doenças em plena crise da pandemia da covid-19, com o país a registar 2134 casos, 1226 em tratamento, 814 recuperados e 94 mortos.

“O governo precisa de ajudar eles. Todos os dias vimos muitas crianças e adultos procurando comida no lixo. As crianças não têm culpa e há pais que colocam os filhos para pedir, e para vender objectos, porque, muitas mães, vendedoras ambulantes, são proibidas de ficar nas ruas”, disse, a senhora Nela Alberto, e acrescentou que a administração devia recolher essas crianças e levá-las no centro de reabilitação ou de acolhimento.

Alimentos estragados

Por seu turno, um dos jovens no local, emocionado, deitando algumas lágrimas, lamentou, dizendo ser “muito triste a situação. É uma tragédia, mas o governo não tem como ajudar essas crianças?”, questiona.

Já no outro ponto de Viana, encontramos outras crianças que durante a conversa disseram-nos: “não temos medo de procurar comida no lixo, já nos acostumamos e os nossos pais sabem que estamos aqui”, afirmam os garotos de 9 e 10 anos, depois de saírem numa lixeira.

Após terem revirado o contentor acharam massa e arroz estragados, batatas-rena, uma laranja e alguns poucos temperos.

O mais novo do grupo disse: “depois que encontramos, dividimos para comermos, e o que sobrar levamos para as nossas casas”.

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