Este pronunciamento foi feito pela Presidente do GMP, Maria do Carmo do Nascimento, na abertura de um encontro com a juventude do município de Luanda, alusivo ao dia Internacional de Luta Contra o Uso Indevido e Tráfico Ilícito das Drogas, que hoje se assinala.
“O número de consumidores de álcool e outras drogas em Angola tende a crescer, constituindo um grave problema de saúde pública. Segundo dados estatísticos do Ministério da Saúde (MINSA), nos últimos três anos mais de de trinta e oito mil pessoas foram diagnosticadas, com incidência para as faixas etárias dos 15 aos 49 anos, maioritariamente do sexo masculina”, revelou a também representante do Movimento de Prevenção e Combate ao Uso de Drogas.
A deputada Maria do Carmo realçou que o Hospital Psiquiátrico de Luanda assistiu no Banco de Urgência, durante o ano de 2019, mais de “um total de 34 mil 246 pacientes, sendo 17 mil 272 do sexo masculino, 16 mil 974 do sexo feminino, dos quais 5 mil 043 estão relacionadas com o transtorno comportamental por uso de álcool, cannabis (liamba) e outras drogas”.
As províncias de Luanda, Benguela, Huíla, Huambo, Namibe, Cunene e Cabinda são consideradas as mais afectadas, com maior destaque para o consumo de álcool, liamba e a crack, referem dados estatísticos da Direcção Nacional de Saúde Pública do Ministério da Saúde, apontou a parlamentar.
O Grupo de Mulheres Parlamentares propõe, entre várias acções de combate à droga, uma abordagem integrada dos factores de risco com medidas legislativas e técnico-normativas, o envolvimento da comunicação social, formação de profissionais de saúde e da educação, o envolvimento de ONG´s e dos cidadãos, acima de tudo o comprometimento familiar.
“Os pais e educadores precisam de estar bem informados sobre os perigos e as consequências das drogas para conversarem com os filhos e com os educadores de maneira franca e aberta, porque o dialogo é o melhor caminho”, advertiu Maria do Carmo.
O encontro com os jovens contou com os palestrantes, Fausta Conceição Paulo de Carvalho e Ana Graça, que apresentaram os temas “Responsabilidade da Família na Prevenção do Uso da Drogas”, “Consequências das Drogas no Organismo do Individuo na Sociedade” e “Prevenção da Toxicodependência em tempo do Covid-19”.
O acto contou com um momento cultural teatral e a audição de vários testemunhos individuais e de famílias que partilharam a sua experiência sobre o uso de drogas.
O Movimento Nacional de Prevenção e Combate ao Uso de Drogas, que integra vários parceiros sociais, entre organizações não governamentais, instituições governamentais, igrejas e Sociedade Civil, foi criado a 27 de Fevereiro de 2020 com o objetivo de prevenir e sensibilizar a sociedade em relação ao uso e consumo de drogas.
Presenciaram o acto, o Presidente da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda, António Maria Nelumba, igualmente coordenadora desta actividade, deputados e representantes da sociedade civil.