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Covid-19: Fórum Africano de Investimento adiado devido à nova variante

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O Fórum Africano de Investimento, planeado para esta semana em Abidjan, foi adiado devido ao aparecimento da nova variante do novo coronavírus, anunciou o presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akinwumi Adesina.

“Com muita pena, temos de dizer que vamos adiar o Fórum Africano de Investimento, que deveria acontecer aqui de 01 a 03 de Dezembro, disse Adesina, em conferência de imprensa em Abidjan, transmitida por videoconferência.

“Estaremos de volta quando a nuvem passar”, acrescentou, sem avançar datas.

Reconhecendo que a realização do Fórum era “particularmente importante este ano” por causa dos efeitos da covid-19 na economia dos países africanos – a taxa de crescimento económico baixou -2,1% em 2020 e este ano está a recuperar 3,4% – o responsável disse que o BAD tinha esperança de atrair “mais muito investimento directo estrangeiro”

“Haveria milhares de milhões de euros em investimento em cima da mesa, mas na vida o homem propõe e Deus dispõe”, afirmou, em inglês.

No entanto, afirmou, “a situação com a mutação do vírus Ómicron explodiu e isso muda tudo. Há viagens a serem canceladas, estão a ser introduzidas restrições, a logística está muito complicada. Há delegações que não conseguem viajar, globalmente, nacionalmente e regionalmente”.

No seu discurso, Adesina justificou a decisão com o aparecimento de uma variante “mais virulenta, mais fácil de transmitir”, que apareceu na semana passada na África do Sul e que motivou já vários países a cortar ligações aéreas com aquele país e vários dos seus vizinhos, incluindo Moçambique.

“Infelizmente somos obrigados a pôr a saúde da população no centro da nossa decisão”, disse Adesina, acrescentando que a decisão foi tomada pelo conselho de administração do BAD, em contacto com o Presidente da Costa do Marfim, onde decorreria o evento, e após ter falado pessoalmente que todos os chefes de Estado que estava previsto estarem presentes.

Em resposta aos jornalistas, Adesina disse que o trabalho do Fórum não se esgota no evento que foi agora adiado e que as conversas continuarão sobre os projetos mais importantes, como o projeto de construção de um corredor Lagos-Abidjan, por onde passará quase 70% de todo o comércio bilateral, o projeto de ligação ferroviária Tanzânia – Ruanda – República Democrática do Congo – Burundi, ou o da produção de vacinas em África.

“Esses projetos não vão parar, as conversas vão continuar, e serão concretizados quando nos voltarmos a reunir. África é resiliente”, concluiu.

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) anunciara recentemente que o Fórum Africano de Investimento deveria aprovar mais de 100 projetos com um valor superior a 110 mil milhões de dólares.

“O Fórum Africano de Investimento tem 118 negócios na calha de todos os oito membros fundadores, com um valor de investimento de mais de 110 mil milhões de dólares”, quase 98 mil milhões de euros, segundo um comunicado enviado à Lusa.

O BAD lançou o Fórum Africano de Investimento em 2018, em conjunto com sete outros parceiros fundadores: a Corporação Financeira Africana, o Banco de Exportações e Importações de África (Afreximbank), o Banco de Desenvolvimento da África Austral, o Banco de Comércio e Desenvolvimento, o Banco Europeu de Investimentos e o Banco Islâmico de Desenvolvimento.

Na sua edição inaugural, foram concluídos 63 negócios, num total de 46,9 mil milhões de dólares em 24 países africanos.

Em 2019, o Fórum juntou 2.291 participantes de 100 países e 57 negócios no valor de 67,7 mil milhões de dólares em 25 países foram concluídos.

No ano passado o Fórum não se realizou devido à pandemia de covid-19.

A covid-19 provocou pelo menos 5.197.718 mortos mortes em todo o mundo, entre mais de 260,81 milhões infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

A doença é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

Uma nova variante, a Ómicron, foi recentemente detectada na África do Sul e, segundo a Organização Mundial da Saúde, o “elevado número de mutações” pode implicar uma maior infecciosidade.

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