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Sociedade

Covid-19 contribui para aumento de ansiedade e depressão entre os jovens angolanos, alertam psicólogos

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Ansiedade, depressão, esgotamento mental e tendência ao suicídio são algumas das principais queixas registadas nos últimos tempos desde o surgimento dos primeiros casos da covid-19 em Angola, uma situação que preocupa os psicólogos angolanos, principalmente os profissionais da Associação Osãi.

Os profissionais manifestaram essa preocupação durante uma feira de saúde mental, realizada na semana passada, pela Associação Osãi, onde a psicóloga clínica Etelvina Armisio, ouvida pelo Correio da Kianda, afirmou que além dos outros factores que motivam o nível de ansiedade, depressão e suicídio crescer drasticamente, as dificuldades económicas juntam-se a esta lista de causas e consequências dos conflitos familiares e elevado nível de estresse.

“Temos vindo a receber muitas queixas de depressão, ansiedade, tendências ao suicídio, diante das várias dificuldades sociais que os jovens e não só têm passado, parece que, para eles, tirar a vida é a solução. Eles comentam connosco que não veem sentido na vida que têm levado. O nível de suicídio cresceu drasticamente. Existem também os conflitos familiares face as condições económicas que as famílias enfrentam, que podem elevar o estresse. E temos feito tudo para ajudar”, começou por dizer.

Diante dos números crescentes de pessoas afectadas por problemas do fórum psicológico, outra preocupação da cientista social, é o facto de a saúde mental ainda não ser uma cultura em Angola, o que dificulta a relação entre os psicólogos e utentes.

“Não tem sido fácil trabalhar com a Psicologia em Angola, ainda é um desafio. O nosso maior desafio é fazer a saúde mental uma cultura, ir ao consultório do psicólogo sem recomendação, ir por espontânea vontade, assim como a gente faz uma consulta de clínico geral, como a gente compra um fármaco. Nós queremos que seja cultura”, manifestou.

“Dentro deste período pandémico, os níveis de ansiedade e depressão foram exaustivos, porque tivemos um momento de confinamento, é uma situação que nós, angolanos, não estamos acostumados. Muitos não conseguiram lidar com estas mudanças. Os efeitos psicológicos vão começar a ser revelados depois da pandemia”, continuou.

Elvis Ricardo, psicólogo das organizações, considera o uso abusivo de álcool, o afastamento social e a não convivência familiar como alguns factores que contribuem para a má gestão da saúde mental.

“Se tivermos jovens com boa saúde mental, teremos menos delinquência, mais pessoas determinadas. O aconselhamento não vem só do psicólogo, mas também da família. A a associação usa estratégias como terapias, criação de tendas para falar sobre a saúde mental, aplicação de testes e escuta activa. E eu recomendo actividades físicas e socialização”, argumentou o também chefe de Gabinete da Área Social da Associação Osãi.

Já o psicólogo clínico, Juscelino Castanho Cabaleta entende que, apesar do crescente número de profissionais com intenção de dar tratamento as doenças do fórum psicológico, não é suficiente para dar respostas a todas necessidades, pelo que apela o apoio das instituições competentes. Só para citar, revelou, o país possui apenas 518 camas para atender pacientes com transtornos mentais, englobando o Hospital Psiquiátrico de Luanda, do Lubango, Centro de Intervenção a droga, no Bengo, um quantidade insuficiente para o número de população que Angola possui, que corresponde crianças, adolescentes, jovens e idosos.

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