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Economia

Coronavírus reduz previsão de crescimento mundial

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A epidemia do novo coronavírus provocará uma desaceleração significativa da economia mundial em 2020, indicou a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reduziu sua previsão de crescimento no mundo de 2,9% a 2,4%.

A China, locomotiva do crescimento mundial há três décadas, deve crescer 4,9% em 2020, 0,8 ponto a menos que na previsão anterior, prevê a OCDE.

O crescimento da zona do euro perderá 0,3 ponto percentual, a 0,8%, enquanto a Itália, principal foco de coronavírus na Europa, perderá 0,4 e terá crescimento zero em 2020.

A economia dos Estados Unidos é mais resistente, com uma previsão de crescimento de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

“A contração da produção na China teve efeitos em todo o mundo, prova da importância crescente da China nas cadeias de abastecimento mundiais e nos mercados de matérias-primas”, explica a organização com sede em Paris.

A OCDE baseia suas previsões na “hipótese de que o pico da epidemia acontecerá na China no primeiro trimestre de 2020 e que em outros países a epidemia será mais moderada e circunscrita”.

Uma epidemia mais duradoura, no entanto, na Ásia-Pacífico, Europa e América do Norte, poderia dividir por dois o crescimento mundial este ano, adverte a OCDE, apontando para um crescimento de 1,4% neste cenário. Neste caso, assistiríamos a uma contração de cerca de 3,75% do comércio mundial.

“Os governos têm que adotar medidas eficazes, mobilizando meios suficientes, para prevenir a infecção e o contágio”, indica a OCDE, com o objetivo de “preservar a renda dos grupos sociais e das empresas vulneráveis durante a epidemia”.

Em novembro, a organização internacional calculava em 2,9% o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial este ano, um nível bastante fraco desde a crise financeira de 2008-2009.

A OCDE é a primeira grande instituição internacional a publicar uma previsão do impacto econômico da epidemia.

Para evitar o cenário catastrófico, os ministros das Finanças do G7 vão se reunir – por telefone – esta semana “para coordenar suas respostas”, informou o ministro francês Bruno Le Maire.

O presidente do Eurogrupo, o português Mario Centeno, anunciou no Twitter uma reunião na quarta-feira dos ministros das Finanças da zona do euro, igualmente por telefone.

Após a queda mais acentuada dos últimos 12 anos das bolsas ocidentais na semana passada, os mercados esperam a atuação dos bancos centrais. Neste sentido, o presidente do Federal Reserve americano indicou que estava pronto para agir, se necessário.

O governador do Banco da França, François Villeroy de Galhau, recomendou não “exagerar”, julgando a política monetária “já muito flexível”.

O Banco de Compensações Internacionais – o banco central dos bancos centrais – estima que o sistema financeiro é mais sólido do que em 2008, mas alerta que as esperanças de uma recuperação rápida são “totalmente irrealistas”.

Atualmente, a China abriga mais de 20% da indústria mundial, comparado a menos de 8% em 2002, um ano antes da epidemia de SARS, enquanto sua participação no PIB mundial aumentou de 6% para mais de 16%.

No cenário mais favorável da OCDE, o crescimento global deve se recuperar em 2021, para 3,3%. No entanto, alerta que isso implica implementar suas recomendações de apoio a empresas e famílias.

O coronavírus ocorre em um momento em que o crescimento global já se encontra fragilizado pela guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. Apesar do acordo firmado em janeiro pelas duas maiores economias do mundo, “as tarifas entre os dois países permanecem significativamente mais altas do que há dois anos”, observa a OCDE.

A organização também revisou significativamente o crescimento da Índia, de 6,2% para 5,1% em 2020 e de 6,4% para 5,6% em 2021, devido ao grande endividamento corporativo pesando sobre o investimento.

Finalmente, a previsão de crescimento do PIB no Brasil se manteve em 1,7% para 2020 e 1,8% para 2021.

 

AFP

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