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Politica

Conflito no Leste da RDC: populares receosos com reintegração de rebeldes do M23

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Embora tenha sido anunciado que os 450 militares das Forças Armadas Angolanas (FAA) têm como missão apoiar as operações de manutenção de paz e asseguramento das áreas de acantonamento do M23, na região Leste da República Democrática do Congo (RDC), moradores da província de Maniema acreditam que estes militares teriam como missão receber os desmobilizados do M23 e outros refugiados nesta província.

Segundo a imprensa local, os populares receiam que seja montado na região um acampamento para receber os rebeldes do M23, ainda que não seja uma informação divulgada oficialmente.

“Gostaria aqui de mostrar ao mundo que a população de Maniema não concorda em receber os desmobilizados do M23 que são, aliás, nossos agressores”, disse um morador, à imprensa local.

A fim de acalmar os ânimos, o governador interino de Maniema, Afani Indrissa Mangala, esclareceu aos populares a missão do destacamento angolano naquela província:

“Depois do nosso parecer favorável, estas tropas (angolanas) irão deslocar-se para Kindu como base de retaguarda para cumprir a sua missão soberana que lhes foi atribuída pelos dois governos. E assim, espero que juntamente com os angolanos na cidade de Kindu, possamos chegar mais perto da paz no Leste da República Democrática do Congo”, declarou o governador interino, antes de lançar um apelo específico a estes administradores:

Devemos demonstrar nossa boa fé para com nossos irmãos que vieram nos ajudar, para acompanhar o nosso Presidente da República no restabelecimento da paz no Oriente”, apelou.

Os chefes de Estados de Angola, da RDC e do Burundi, que estiveram reunidos na capital do país, Luanda, no dia 23 de Novembro, num encontro conhecido como Mini-Cimeira de Luanda, decidiram um cessar fogo, que vem sendo constantemente interrompido pelos integrantes do movimento, com a reintegração dos rebeldes do M23. Com a não aceitação por parte dos populares, esta reintegração, no futuro, está entre os desafios que as tropas angolanas terão que ajudar a garantir.

Mini-Cimeira de Adis Abeba

Conforme o Correio da Kianda publicou anteriormente, o vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros da RDC, Christophe Lutundula, informou que a missão das tropas angolanas, é “verificar se o M23 respeita o princípio do acantonamento seguro”, conforme decidido pela Mini-Cimeira sobre a paz e segurança na região dos Grandes Lagos, realizada em Adis Abeba, capital da Etiópia, a 17 de Fevereiro de 2023.

Os Chefes de Estado e de Governo mandataram a República de Angola, em coordenação com o facilitador designado pela Comissão da África Oriental, Uhuru Kennyatta, a manter contacto com a liderança do M23, no sentido de transmitirem as decisões saídas do encontro, contacto este que culminou com o envio de tropas angolanas para região.

O clima de tensão entre a RDC e o Rwanda voltou a instalar-se na relação entre os dois países nos últimos meses, depois do reinício, em Março de 2022, dos combates entre o exército da RDC e o grupo rebelde Movimento 23 de Março, mais conhecido por M23. Os dois países acusam-se mutuamente de apoiar à  insurreição militar para desestabilizar um e outro, com Kinshasa a denunciar um suposto apoio militar de Kigali ao M23, acusação negada por Ruanda. O nível de tensão entre os dois países subiu ainda mais de tom, depois da expulsão do embaixador do Rwanda da RDC.

Até agora, os combates nesta região já levaram mais de 800 mil pessoas a procurarem abrigo noutras cidades congolesas ou mesmo no Ruanda, segundo estima a ONU.