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Como é que se Combate a Bajulação, Camarada Presidente?

Alexandre Chivale

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João Manuel Gonçalves Lourenço, ou JLo (como o meu amigo Augusto BáfuaBáfua o cognominou antes de ser candidato pelo MPLA) ou ainda Mimoso, para os seus próximos, é o homem do momento na costa atlântica de África. Não é para menos: é o Presidente da República de Angola e do partido dominador na terra de Kilamba Kiaxi e que com uma jogada de mestre (não podendo afastar em congresso extraordinário as suas pedras de tropeço) avançou para o aumento de gorduras no Comité Central do Glorioso e sexagenário, como forma de se rodear dos que o podem fazer as vontades. São jogadas de quem se cognominou jogador de xadrez. Eu também faria o mesmo. É que não custa perceber que com a acção enérgica e ousada com que se empenhou em atacar os considerados focos de estrangulamento do Estado, JLo criou anticorpos que poderiam ser um empecilho para 2022. Afinal não se corrige o que está mal em 5 anos apenas…

Mas é do JLo que elegeu, entre outros, o combate à bajulação como uma das suas bandeiras, aquando da sua entronização, no extraordinário de Setembro de 2018, que quero falar. Foi interessante ver os mesmos camaradas que horas antes aplaudiam o discurso de José Eduardo dos Santos, aplaudirem com similar entusiasmo e vigor o discurso do nóvel presidente, que em boa parte dirigiu ferozes ataques (ainda que indirectamente) ao cessante. É aqui onde começam as minhas dúvidas, Camarada Presidente! Como é que se sentiu ao ver os seu camaradas aplaudirem um simples tossir do seu antecessor (de manhã) e na mesma data, local e evento o aplaudirem por eleger a bajulação como alvo a abater? Ainda estou confuso, Camarada, pois corre o risco de ser o único que alimenta a convicção errónea de poder combater a bajulação e, na melhor das hipóteses, combatê-la nesses moldes.

Creio ser a legítima a visão segundo a qual na maior parte dos países africanos a pertença a um determinado partido não é explicada pela clássica divisão entre os da esquerda e os da direita. Se perguntarmos aos militantes de partidos como o MPLA, UNITA, FRELIMO, RENAMO, entre outros, não nos deveremos surpreender se boa parte deles disser que esquerda é o oposto de direita e vice-versa. A pertença a partidos na nossa realidade está fundada em razões de ordem hereditária, histórica (em 1975 ou se era do Partido ou do Partido) e essencialmente no acesso às fontes de aquisição e manutenção de riqueza. Quem no seu perfeito juízo e dependendo de concursos públicos para alimentar a sua teia empresarial há-de vestir uma camiseta com o rosto de Benedito Daniel?

É associado aos interesses de cariz económico está a crescente mediocridade que grassa boa franja de partidos políticos, que poderemos encontrar alguma explicação para o florescimento de cartéis de bajulação. E a mim repugna que isso esteja a fazer escola no seio dos jovens. Não pretendo incitar à indisciplina partidária, mas a bajulação é um inimigo mortal para o futuro das partidos políticos dominantes. É que já não se pensa, tão pouco se inventa: no princípio dos discursos está sempre a mágica expressão “como disse o Camarada Presidente.” E no caso do MPLA, os que ontem viam em José Eduardo dos Santos o Guia Incontentável, são os mesmos que hoje o chamam marimbondo. É a arte bajú: só muda o nome, mas mantemos as práticas e elogios, basta ser o Camarada Presidente! E isso é feito na expectativa de arrancar simpatias e favores.

O meu problema, Camarada Presidente, não é se é ou não mimoseado pela bajulação, mas a forma como reage a isso. Até porque tem sido aceitável em Ciência Política assumir a bajulação como parceiro fiel da governação. Quem não gosta de receber elogios (mesmo imerecidos)? Eu também gosto! Assim como o álcool, a bajulação não vale por si só, mas pelos seus efeitos! Não podendo impedir que elogiem à toa, cuide-se para que não se deixe adormecer por isso. Confesso que depois da última colectiva na Cidade Alta fiquei com a sensação que o Camarada Presidente há-de ter uma convivência complicada com a crítica. Assim se cria um campo fértil para a bajulação!

Enfim, não acredito que se combata a bajulação, mas podemos evitar que ela nos cegue.

Tondele!

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