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Opinião

Como acabamos com um Estado quando os interesses e as liberdades são mal conseguidas

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Embora a liberdade e os interesses são de cariz subjectivo e muitas vezes pessoal, há uma unanimidade em perceber os ganhos que elas acarretam consigo, pois, a nossa própria história é um exemplo vivo disto. O interesse de termos o leme do país e estarmos independentes, teve uma abrangência tangível a qualquer angolano. Jonh Locke, filósofo inglês diz que a liberdade é aspiração básica para todos os seres humanos, ninguém deverá prejudicar outro na sua vida, saúde, liberdade ou bens. Locke, foi mais longe, reconheceu que a liberdade deverá começar quando as pessoas estarem livres de violência, intimidação, e outros actos degradantes.

Fazendo esta introdução, entremos ao que nos leva a este artigo.

Em Janeiro de 2011, em Damasco, na Síria, ocorreu um protesto espontâneo contra o regime de Bashar al-Assad, importa referenciar que Síria, em detrimento de outros países no Médio Oriente, era dos Estados mais liberais, vigorava a laicidade do Estado, as mulheres conduziam sozinhas e podiam andar só pelas ruas, diferente da Arábia Saudita que, conseguiu estes feitos mais tarde. Síria sempre foi governada por uma minoria de etnia Alauita, que são cerca de 15% da população naquele Estado.

Na cidade de meridional de Daraa, alguns miúdos escreveram numa parede “o povo quer que governo caia”. Foram capturados, presos e torturados. Logo, juntou-se uma multidão para exigir a libertação dos referidos jovens e, nos tumultos, entre a polícia e os civis, foram mortas duas pessoas, culminando numa manifestação maior que, acabou por se espalhar por todo o país. Depressa tornou-se numa guerra civil, pois houve outros interessados, outros financiadores de derrube de governos. O Estado usou de todos os meios possíveis para estancar o problema, com militares e forças de segurança, porque já era gente na rua, porque afinal havia muita gente que queria que o governo caísse, porém, ao invés de liberdade e inclusão, o que os sírios conseguiram foi uma guerra civil e violência desenfreada. O que correu mal?

Adam, um organizador dos média, numa reflexão disse: pensávamos que íamos receber um presente e o que tivemos foi todo o mal do mundo.

Husayn, um dramaturgo de Alepo, sintetizou: nunca pensamos que estes sinistros grupos viessem para a Síria, pois estes se apoderaram do jogo. Referiu-se aos ISIS que instituía em 2014 um novo califado islâmico, começando pela cidade Raqqa.

Que lições podemos tirar deste processo todo, o que ocorreu com a Líbia é diferente? É importante que haja todas as forças necessárias num país, desde os grupos de pressão, activistas, manifestantes, para se criar um equilíbrio, pesos e contra pesos, para que a outra fatia da liberdade ou interesse pretendido, sejam bem conseguidos, senão criamos outro problema, tal como os líbios que viviam como reis, estudo gratuito, casamentos pagos pelo Estado, saúde de ponta, mas claudicaram, o mesmo com os sírios.

A liberdade e os interesses comuns precisam do Estado e das leis. Não serão dadas, serão conquistadas, com uma sociedade urbana e mobilizada, que use a pedagogia, o bem, para conseguir ser incluindo e, quando poder, se sentir que as suas expectativas foram frustradas, expulse pelo voto, é a melhor sentença que se pode dar quando queremos ser tidos.

Precisamos olhar de forma mais ampla todo processo daquilo que queremos e pretendemos, senão acaba-se perdendo tudo que até agora foi conquista.

Por Moisés Kambundi
Professor e escritor