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Comentaristas esperam “caminhos que apontem para soluções“ no discurso sobre Estado da Nação

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Com ameaças de protestos por parte dos parlamentares da UNITA e organizações da sociedade civil, o Presidente da República, João Lourenço, dirige esta segunda-feira, 16, uma mensagem sobre o Estado da Nação e “as políticas preconizadas para a resolução dos principais assuntos, promoção do bem-estar dos angolanos e desenvolvimento do país”, como estabelece o artigo 118 da Constituição, assinalando a abertura do Ano Parlamentar (2023-2024) da V Legislatura da Assembleia Nacional.

O comentarista da Rádio Correio da Kianda, Eduardo Rocha, entende que o discurso do Presidente da República poderá cingir-se no formato de relatório que difere da realidade, e menos perspectiva do futuro. Rocha defende que o Chefe de Estado deveria identificar as causas da crise que o país vive e indicar caminhos que apontem para as soluções.

“Este é o sétimo discurso do presidente e geralmente é um discurso que tem caracterizações muito próximas a um relatório. Penso que o discurso do Estado da Nação devia ter esta dimensão de unir e resgatar a confiança dos cidadãos sobre as causas principais do país. Aproveitar que estamos num contexto especial de crise, desvalorização do kwanza, preços da cesta básica estão a níveis galopantes. Poderia trazer o que o seu Executivo perspectiva para sairmos desta situação a breve, a curto e a longo prazo”.

Entretanto, o politólogo e linguista apela os deputados da oposição para não repetir o cenário que se viveu sábado último, em que os deputados da UNITA protestaram contra o chumbo à proposta de destituição do Presidente da República, João Lourenço.

“Aquele nível de crispação que se viveu entre os deputados a Assembleia Nacional que possa ter uma repercussão no ambiente no ecossistema da assembleia para nos servir de acalento para os ânimos ao presidente da UNITA que tomou a iniciativa de propor a destituição do Presidente da República”, disse.

Já Samora Neves olha para o elevado custo de vida como um dos assuntos que pode merecer destaque no discurso, bem como a política regional e internacional.

“O país vive um momento excepcional, principalmente do ponto de vista social, ou seja, os produtos da cesta básica tem registado subidas enormes no seu preço, e dali eu penso que João Lourenço vai ter a oportunidade no hemiciclo da Assembleia Nacional de transmitir à Nação qual é a estratégia de Governo que está a gizar, no sentido de mitigar esta situação, aligeirar os problemas que têm estado a afligir a nossa sociedade. É claro que o presidente vai transmitir um discurso de esperança, de calmaria, transparente de alguém que está a trabalhar para a solução destes problemas”.

O jurista e sociólogo espera ouvir do titular do poder executivo um horizonte temporal sobre a implementação das autarquias em Angola.

“Que João Lourenço também transmita a Nação a possibilidade de nos próximos tempos termos as autarquias locais como estão a ser preparados e o tempo próprio para dar origem a sua institucionalização. João Lourenço com certeza poderá impulsionar a Assembleia Nacional para acelerar o processo para ver se ainda no âmbito deste seu mandato ate 2027 tenhamos as autarquias locais a nível do nosso país”.

Já, Jeiel Freitas pensa que o Presidente da República poderá usar o momento para atirar farpas a oposição, o politólogo antevê também o exibir de cartolinas pretas ou vermelhas por parte dos parlamentares da UNITA.

“Há uma iniciativa de destituição por parte da bancada parlamentar da UNITA que foi chumbada pela Assembleia Nacional. Este processo foi analisado antes do discurso de abertura, se calhar há alguma vantagem para João Lourenço. Neste caso, ele terá uma oportunidade e creio eu que vai fazê-lo: lançar umas farpas à oposição neste quesito e a oposição, neste caso, vai se remeter ao silêncio, como manda a Constituição e as boas maneiras”.

Já Luís Jimbo espera que os deputados na oposição tenham uma conduta de cordialidade diante do alto mandatário da República, em conformidade com a garantia do presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior.

“Na expectativa, reitero uma mensagem deixada pelo líder da oposição. Quando questionado disse que segunda-feira estarão todos os deputados da oposição no Parlamento a exercerem as suas funções de deputados pelo qual esperamos que diante do Chefe de Estado, a postura de cordialidade e respeito das instituições prevaleça. Será um momento de olharmos para questões de Nação para aquilo que nos une enquanto nação”, disse.

O Director Executivo do Observatório Eleitoral também pede ao Presidente da República para não usar o discurso de retaliação. Tendo em conta a iniciativa do grupo parlamentar do Galo Negro, o Coordenador Executivo do Observatório Eleitoral espera que João Lourenço use o espaço para um discurso de inclusão.

“E da parte do presidente João Lourenço o meu apelo é que não use do palco da mensagem do Estado da Nação para retaliar ou fazer uma oposição à iniciativa que foi chumbada. A minha expectativa é que o presidente convide a sociedade, especialmente a oposição, para os desafios políticos que temos pela frente, rever agenda da revisão constitucional que requer uma revisão política incluindo da oposição”.

Por sua vez, questões relacionadas com a redução dos preços dos principais produtos da cesta básica estão entre as novidades que os interlocutores ouvidos pela Rádio Correio da Kianda esperam ouvir de João Lourenço.

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