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Reportagem

Começou a nova era na ligação de Cabinda ao resto do país

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Foi debaixo de uma intensa chuva em Luanda, que a delegação começou a chegar ao terminal doméstico do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, nas primeiras horas desta quarta-feira 20 de Abril, para embarcar para a província do Zaire. Começa assim aquele que o dia que fica registado na história social, política e económica do país. O avião deixa de ser único meio para ir e regressar à cabinda.

No Boing 737-700 de 35 assentos da TAAG cerca de 20 passageiros seguem viagem, entre os quais,´´ jornalistas da TV ZIMBO, Jornal 24 Horas, Expansão e Correio da Kianda.

Exactos de 40 minutos depois o avião transportando a delegação chefiada pelo ministro dos Transportes aterrava no Aeroporto Ndozi, na cidade do Soyo, onde foi recebida pelo governo provincial.

Cumpridas que estavam as formalidades protocolares, que incluiu a benção do pároco da igreja católico situado no Bairro Maria e um discurso do rei João Conceição Toma, do Soyo, o ministro Ricardo Viegas D´Abreu procedeu ao corte da fita, que simboliza a inauguração do Terminal Fluvial de Passageiros do Soyo.

A comitiva fez uma pormenorizada visita de guiada por toda a infraestrutura, ora inaugurada.

“Caros passageiros, bem-vindos a bordo. Para o vosso conforto e segurança a embarcação possui coletes salva-vidas…”, era a voz de uma assistente de bordo da Cecil Marítima, a anunciar a primeira partida da viagem de Catamarã, na cidade do Soyo e destino à província de Cabinda.

Eram 13h40 minutos quando o Catamarã Cacongo começou a movimentar-se no canal do rio zaire, em direcção ao Mar, com cerca de 60 pessoas abordos.

Na parte interna da embarcação, duas assistentes de bordo a servir alimentação e bebidas. Entre os cerca de 20 passageiros uns a conversavam e outros a ler ou a comer, era o ambiente na parte interna do Catamarã, durante a rumagem ao enclave de Cabinda.

Ao Correio da Kianda, Olga Sumbo conta a experiência da sua primeira viagem de Cabinda ao Soyo, de embarcação não convencional. A viagem dura cerca de 6 horas, mas precisou de 31 horas para chegar à terra firme do Soyo.

“O barco avariou no território do Congo às 14 horas. Nós já saimos de Cabinda às 9h… A noite choveu e eu chorei muito. Estava a viajar com os meus dois filhos”, relembra a jovem de 33 anos de idade. Uma experiência que fica para trás com o início do projecto de Cabotagem norte.

Recorda ainda que só as 19 horas do dia seguinte conseguiram atracar em Cabinda, pois “o dono do barco teve de mandar outro motor, trocaram o avariado e só assim continuámos”.

Já no mar o catamarã entra em velocidade máxima. 24 nós no painel e as ondulações começam a fazer-se sentir no interior, a condicionar a movimentação dos passageiros. Houve mesmo quem pegasse um enjoo e se visse obrigado a apoiar-se a cabeça para se recompor. As assistentes de bordo começam a ter dificuldades para sair da copa com as bandejas de alimentos.




Na parte externa da embarcação, viaja a comitiva governamental, a contemplar a natureza marinha. Plataformas petrolíferas e um Navio petroleiro no alto mar foram os únicos objectos à vista dos viajantes durante o trajecto de duas horas, além das residências a beira-mar na República do Congo.

Às 16h10 o Catamarã Cacongo atraca no Terminal Marítimo de Passageiros de Cabinda. O baixo nível das águas do mar causou um desnível entre as portas do catamarã e a base de atracagem, e foi preciso esperar cerca de 40 minutos para que os viajantes pudessem desembarcar para a terra firme em uma escada trazida ao local de forma urgente.

Os ministros dos Transportes e da Cultura, Turismo e Ambiente, bemo como o governador do Zaire, foram, os 12º, 13º  e 14º passageiros a desembarcarem. A sua frente a autoridade tradicional e seu acompanhante, bem como os jornalistas.

Reações

À entrada do Terminal Fluvial de Passageiros do Soyo, na província do Zaire, dezanas de cidadãos, moradores do bairro Maria estavam preensivos com a inauguração da infraestrutura e início das viagens de Catamarãs.

Ao Correio da Kianda, o jovem Nzunzi disse que “é uma boa ideia”, mas o governo peca “pelo preço muito alto” do bilhete de Viagem.

Entretanto, o seu companheiro já discorda, ao fazer uma comparação com o valor cobrado nas viagens pelas embarcações artesanais, que cobram 25 mil kwanzas a viagem. Instantes depois já muda de opinião, quando recordado por outra cidadã ao lado, que questiona “então, se a viagem de Avião é 13 mil como é que de barco que leva mais tempo que avião estão a cobrar 15 mil” kwanzas ?

Questionados sobre os critérios tidos em conta para a definição do preço de bilhete de passagem no projecto de Cabotagem Norte, o Coordenador da Comissão de Gestão da Cecil Marítima, João Martisn, que gere o projecto, referiu que os 15 mil kwanzas anunciados, são, por enquanto, uma proposta que poderá ser revista.

“esse valor é ainda uma proposta. se a demanda não for a desejada, vamos baixar.  E se mesmo assim ainda continuar a haver reclamações poderá baixar ainda mais. portanto, como disse é tudo ainda uma proposta”, disse.

Entretanto esclarece que este preço é apenas para uma viagem, na ligação entre Soyo e Cabinda. Quanto à ligação destas duas províncias com a capital do País, João Martins refere que está dependente da conclusão e inauguração dos Terminais Marítimo de Passageiros em Luanda, e cujas obras decorrem, é que se poderá definir o preço do bilhete. Maio, de acordo com o responsável, é que deverá ocorrer a inauguração.

A viagem do Soyo à Cabinda dura cerca de duas horas e meia, ao passo que a ligação para Luanda, o Catamarã leva cerca de 10 horas.

Nesta primeira fase os catamarãs ao serviço da Cecil Marítima têm quatro frequências semanais. Duas as terça-feira e outras duas as sextas.