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Combate à corrupção perde fôlego e Angola mantém nota negativa no ranking global

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Angola manteve-se praticamente estagnada no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) 2025 da Transparência Internacional, ao conservar os mesmos 32 pontos registados em 2024, subindo apenas uma posição na tabela global para o 120.º lugar entre 182 países avaliados.

Apesar da ligeira melhoria na classificação, o País continua abaixo da média global e mantém-se no grupo dos Estados com “nota negativa”, uma vez que o índice é medido numa escala de 0 a 100, em que 100 representa elevada transparência e 0 níveis extremos de corrupção no sector público.

A estabilidade dos 32 pontos surge depois de uma trajectória descendente face aos 33 pontos obtidos em 2022 e 2023, sinalizando um abrandamento na percepção da sociedade civil quanto à eficácia do combate à corrupção. Entre 2018 e 2022, Angola protagonizou uma das maiores subidas da sua história neste ranking, passando da 165.ª posição para a 116.ª, impulsionada pelo discurso reformista que marcou o início do mandato do Presidente João Lourenço.

O relatório reconhece progressos institucionais e medidas adoptadas na última década, mas alerta que muitos cidadãos continuam a considerar insuficientes os esforços governamentais. A organização refere ainda que persiste o receio de retaliações contra denunciantes, um factor que afecta directamente a confiança pública e a percepção de integridade das instituições.

A manutenção da pontuação ocorre num contexto de pressão internacional acrescida. Em 2024, Angola entrou para a lista cinzenta do Grupo de Ação Financeira (GAFI), organismo internacional que monitoriza o combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo.

Desde então, foram aprovadas alterações legislativas relevantes, incluindo revisões à Lei do Branqueamento de Capitais, ao regime das Organizações Não Governamentais e ao enquadramento jurídico do Beneficiário Efectivo das empresas.

Contudo, especialistas sublinham que a produção legislativa, por si só, não altera automaticamente a percepção pública. Para sair da lista cinzenta e melhorar a sua posição no índice, Angola terá de demonstrar eficácia prática, com investigações consistentes, processos concluídos e condenações em casos de crimes económicos e financeiros.

Analistas económicos apontam que a percepção internacional da corrupção influencia directamente o ambiente de negócios, o investimento estrangeiro e a confiança dos mercados. A estagnação do IPC pode, assim, representar um sinal de alerta para as autoridades, indicando que o impulso inicial das reformas perdeu intensidade aos olhos da sociedade.

O desafio que se coloca agora é  recuperar a dinâmica do combate à corrupção iniciada após 2017 e transformar reformas legais em resultados tangíveis que reforcem a confiança interna e externa nas instituições.

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