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Economia

Clientes da ENDE devem mais de 200 mil milhões de kwanzas

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A Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) vive uma situação financeira preocupante, traduzida numa elevadíssima dívida dos seus clientes, avaliada em 200 mil milhões de kwanzas, com as instituições do Estado a se destacaram na lista de devedores.

A denúncia é do presidente do Conselho de Administração da ENDE, Hélder de Jesus, numa extensa entrevista à Agência Angola Press.

Na lista de prejuízos à ENDE constam igualmente as perdas comerciais, muitas delas fora do controlo da empresa, algumas resultantes da má facturação ou sub-facturação.

O PCA da ENDE começou por dizer que a empresa pública “não tem boa saúde financeira”, por causa das elevadas dívidas acumuladas pelos seus clientes e também por aspectos internos, que têm a ver com as perdas comerciais, em que muitos clientes escapam do controlo.

Outros factores que concorrem para o mau estado financeiro da empresa, segundo o responsável, são as tarifas baixas, porque o país tem uma das tarifas mais baixas do mundo.

“Tudo isto faz que a nossa situação seja difícil, até para atender à situação social dos trabalhadores, mas temos trabalhado, sobretudo, nos aspectos que dependem de nós, como as perdas comerciais. A nossa batalha é melhorar dia-a-dia o processo de arrecadação de receitas”, disse.

Sobre a carteira de devedores, Helder de Jesus disse que os clientes da ENDE, em todo o país, devem mais de 200 mil milhões de kwanzas, destacando-se na lista instituições públicas, privadas e particulares (domésticos), sendo que 120 mil milhões de kwanzas são de clientes da Província de Luanda.

“Fazem parte das instituições do Estado, que vão acumulando avultadas dívidas, os Governos Províncias. Esses, por causa do consumo com a iluminação pública, nunca fizeram os devidos pagamentos. Em função disso, o acumulado da dívida dessas entidades, actualmente, está avaliado em cerca de dois mil milhões de kwanzas”, sublinhou.

Reforçou ainda dizendo que hoje, quase todas as instituições do Estado têm dívidas com a ENDE. “Há empresas com dívidas que variam entre 700 milhões a dois mil milhões de kwanzas. Estamos a falar da maior parte dos ministérios, os estádios de futebol, os hospitais, as escolas do ensino geral, entre outras instituições”, referiu.

Helder de Jesus lembrou, na ocasião, que há dois anos o Conselho de Administração da ENDE reuniu com a ministra da Educação, durante a qual apresentou o problema das dívidas das instituições de ensino, e na altura, a titular informou que as escolas não têm orçamento para tal despesa.

Nos hospitais, onde disse ser difícil interromper o fornecimento, a dívida das unidades hospitalares para com a ENDE, a nível do país, está acima de mil milhões de kwanzas, tendo acrescentado que essas dívidas têm causado transtornos financeiros à empresa.

Em termos de distribuição geográfica o município do Cazenga é, segundo o PCA da ENDE, o que apresenta o maior número de devedores, ao passo que Cacuaco é onde os técnicos têm mais dificuldades em fazer cortes domiciliares, por não-pagamento.

Apesar desse quadro, o PCA da ENDE, revelou que em 2022, a média mensal de receitas da empresa foi de 8.5 mil milhões de kwanzas.

Comparativamente ao ano de 2021 onde as perdas ficaram situadas em 22%, no ano passado ficaram fixadas em 16% e esta redução deve-se o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, a nível interno, para se evitar perdas comerciais.

Entretanto, o PCA Helder de Jesus garante que apesar dessa situação, a empresa tem levado energia eléctrica a mais famílias angolanas, através da expansão da rede de distribuição, com inauguração de infra-estruturas afins em vários municípios do país, que se livraram dos geradores e, consequentemente, dos elevados custos com a aquisição de combustíveis e manutenção.

Noutro plano, foi possível interligar alguns municípios ao sistema principal. Cuanza Sul, Bié e Huambo são as províncias que mais beneficiaram de inaugurações de novas infraestruturas da ENDE. Com isto, segundo o responsável, Zaire e Luanda (excepto Quissama) são, até ao momento, as únicas províncias que têm todos os municípios interligado a rede pública.

A província de Luanda é a que apresenta maior desafio para a ENDE, estando em carteira, projectos de interligação por cabo submarino para levar energia eléctrica ao Mussulo, Sangano e ao Cabo-Ledo.

“A empresa tem também outros desafios em fase de aprovação, como o de aumentar a electrificação em Luanda, nos bairros Dangereux, bem como nos municípios de Talatona, Belas (Ramiros, Benfica e Zona Verde), Viana (Estalagem, Jacinto Tchipa e Njinga Cristina), Cacuaco (Kikolo, Belo Monte, Paraíso), entre outros”, referiu.