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Cultura

Cineasta Jorge António mostra-se agastado com falta de políticas de Estado no cinema

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O cineasta e director do Festival Internacional de Cinema Documental (Doc Luanda), Jorge António, mostrou-se agastado com o estado em que se encontra o cinema angolano, pelo facto de debater-se, há anos, com a falta de um plano estratégico para o cinema, pelo Estado angolano. Os apoios que tem vindo a observar são, segundo o realizador, pontuais o que faz com que se produzam filmes que não reflectem o cinema nacional.

Jorge António falava em Conferência de Imprensa, nesta quinta-feira, que visou a apresentação do Festival Internacional de Cinema Documental (Doc Luanda), a decorrer de 2 a 7 de Abril próximo, no centro cultural português, em Luanda, com o objectivo de dotar a cidade de Luanda, de mais um evento cultural, na vertente de cinema.

A maior preocupação de Jorge António é a falta de políticas de Estado do governo angolano para com o cinema, o que na sua visão permitiria a criação ou atribuição de um fundo financeiro para o sector.

Defendeu por outro lado, a necessidade de organização por parte da tutela e das pessoas que estudam e trabalham no cinema para o cinema angolano entrar n circuito internacional.
“É preciso equipas especializadas, é preciso valores de produção (…), por isso fazer filmes é uma coisa cara. Isso não existe sem ajuda do Estado. Ao contrário do que as pessoas pensam, não é o filme em si, um produto acabado, qualquer jovem hoje em dia com a revolução tecnológica pode pegar uma cãmara qualquer, uma objectiva, um telefone, pode fazer um filme e pode mostra-lo, mas isso não é o cinema dum país. São projectos pontuais. Não entram para o circuito comercial, não entram nos apoios de um país, não entram no circuito internacional, nas vendas de televisões, etc, etc”, referiu.
Acrescentou ainda que tudo isso reflecta a ausência organização e apoio por parte da tutela da cultura no país.

A fusão da Cultura com o Ambiente e o Turismo em um único departamento ministerial deitou por terra, o sonho do cineasta de ver a produção cinematográfica financiada pelo Estado angolano. “Se antes quando era só ministério da Cultura já não havia financiamento nem apoios para o cinema, imagine agora que juntaram três num só”, desabafou.

Em termos de apoios, Jorge António recua para os primeiros anos do pós independência, quando a TPA começou a produzir os primeiros documentários da época, que viria a retroceder com o surgimento da guerra civil, e um renascimento quando, no início dos anos 90 o governo angolano disponibilizou verbas com as quais Zezé Gamboa, Maria João Ganga e Orlando Fortunato produziram os seus filmes no inicio dos anos 2000.

“O problema é que este foi um fundo (pontual) do ministério das Finanças e não foi um fundo do ministério da Cultura”, o que fez com que logo a seguir o cinema em Angola voltasse “a baixar. Porque fazer um filme, com todas as condições é talvez das coisas com os orçamentos mais elevados, dentro da arte”, disse, caracterizando a historia recente do cinema angolano como sendo de “soube e desces”.

Sobre o festival Doc Luanda

A primeira edição do Festival Internacional de Cinema Documental (Doc Luanda) vai decorrer de 2 a 7 de Abril de 2022, por iniciativa do Centro Cultural Português em Luanda, com a periodicidade anual em parceria MUKIXE e a CRIACOM.

Direcionado para o cinema documental e inédito em Angola, a proposta do Camões na realização do DOCLUANDA tem um fundo pedagógico e servirá para incentivar o intercâmbio cultural, estabelecer uma visão contemporânea do Mundo e de Angola através do cinema e da sua história contribuindo desta forma, também, para o futuro do panorama do cinema angolano.

O festival estará composto de vários momentos. Além da exibição de filmes nas categorias competição nacional, competição internacional e sessão não competitiva, a organização reserva ainda uma mesa redonda sobre o cinema em Angola, com a participação de Jorge António, o director do festival, da atris e produtora Neide Van Dunem, do crítico de Artes Adriano Mixinge, do escritor José Luís Mendoça e do Director Provincial da Cultura de Luanda, Manuel Gonçalves.

Concertos, masterclasses, espetáculos, e exposição de CD´s, DVD´´s e livros constam também do programa de actividades do festival, que vai homenagear Gita Gonçalves, director de som de vários filmes produzidos em Angola.

Programação do festival

´um sopro no quintal´ realizado em 2021 pelo realizador Gretel Marín vai abrir o Doc Luanda, seguido de Á má influência das músicas nacionais de Simão Francisco e ´Vírus Inesperado´ de Henrique Sungo e Filipe Anjos, a partir das 14 horas de 03 de Abril, na componente competição nacional.

No mesmo dia, na categoria competição internacional será exibido o filme ´Fordlândia Malaise´, de Susana Sousa Dias, bem como o documentário ´Canta Angola´, de Ariel de Bigault.

No dia 04 o realizador Dikizeko Matuzeyi verá seu filme ´os frutos da colonização em África (2021) ser exibido, no auditório Petetela, para a competição nacional, tal como os documentários ´Cozinhas de Rua e Empreendedorismo´, de Osvaldo Francisco, ´Nzila Ngola´ e ´Carne de gato preto´. Na competição internacional será o filme congolês de Ne Kunda Nlaba, ´Reino do Congo´ e o documentário ´Nheengatu´ realizado em Portugal e Brasil, por José Barahona.

Nesse mesmo dia entram em cena os três primeiros documentários da primeira sessão não competitiva, entre os quais o ´Corredor do Kwanza´ do realizador Óscar Gil.

No dia dia 5 serão exibidos um total de sete documentários, de curta e longa-metragem, para a competição internacional (Itália e África do Sul) no auditório Pepetela, e para a segunda sessão não competitiva com realizações de Angola e Portugal. A mesa redonda sobre Cinema em Angola está também agenda para esse dia.

O concerto da Banda Kosmik e a Masterclass de Rui Dias estão reservados para o dia 6 de Abril, separados, em termos de tempo, pela terceira sessão não competitiva que será na sala 1 no centro cultural Português. ´Viver e escrever em trânsito entre Angola e Portugal, do realizador Doris Wieser, ´Nducussole´, de Eltina Gaspar e ´Trilhos e Caminhos´ do realizador Brasileiro Reynaldo Barreto Lisboa, compõem o leque de documentários a serem exibidos na sala 1 do Centro Cultural Português, as 15 horas.

No último dia do encerramento do Festival Internacional de Cinema Documental, a 7 de Abril próximo, serão exibidos os documentários ´All the strets are silent´, do realizado americano Jeremy Elkin, da competição internacional, bem como ´Para lá dos passos´, de Kamy Lara e ´A mística dos Tambores´, do realizador Nguxi dos Santos, ambos na competição nacional.

As 18h30 do dia 07 será o encerramento, com a cerimónia de entrega de prémios aos documentários vencedores das competições nacional e internacional. A cerimónia contará ainda com a performance da Companhia de Dança Contemporânea de Angola.

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