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Cimeira da Paz: membros do BRICS poderão ter participado para sabotá-la deliberadamente

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A jogada internacional de Moscovo e as vontades de certas capitais africanas que podem ser acauteladas pelos russos concorreram para que vários Estados africanos não se fizessem presentes na reunião de líderes que visou o alcance de paz para a Ucrânia, organizada na Suíça, entre 15 e 16 deste mês.

As Repúblicas do Brasil, Índia, África do Sul e a Arábia Saudita, todos membros dos BRICS, a organização do Sul Global em que também fazem parte a China e a Rússia, acabaram por sabotar os resultados da Cimeira da Suíça para a paz na Ucrânia, na qual antes idealizavam não participar.

Face ao que aconteceu na Suíça, precisamente no domingo, 16, cresce a sensação em muitas representações diplomáticas de países ocidentais em Angola, de que os Estados supracitados acorreram para o tão esperado evento para deliberadamente o sabotar a favor de Vladimir Putin e da Rússia.

Entre muitos dos países do BRICS, a China foi a mais coerente. Tão logo ouviu falar da realização da Cimeira de Paz para a Ucrânia, Pequim deu indicadores de que não participaria caso a Rússia não fosse convidada, pelo facto de esta ser a outra parte do conflito, e quem, diferente da Ucrânia, tem condições para determinar o seu fim.

Já outros Estados, à semelhança do ‘Dragão Vermelho’, como também são conhecidos os chineses, deram indicações de que não participariam da Cimeira, mas acabaram participando, tendo em bloco optado por não votar a favor do comunicado final.

O texto, que não contou com a chancela do Brasil, Índia, África do Sul e a Arábia Saudita, só para citar estes, “reafirma a integridade territorial do país” e pede que “todas as partes” estejam envolvidas para se alcançar a paz. E defende “os princípios da soberania, da independência e da integridade territorial de todos os Estados, incluindo a Ucrânia”.

O documento, entretanto, foi subscrito por 84 países, incluindo os da União Europeia, Estados Unidos da América, Japão, Argentina, Somália e o Quénia.

De referir que o mundo caminha para uma clara bipolarização, à semelhança do período da Guerra-Fria… de um lado, estão os norte-americanos e os seus aliados que buscam apoio em África, no continente americano e asiático; e do outro lado, estão os russos com os chineses, que vêem sua trincheira a aumentar o número de apoiantes.

Para diferentes observadores, os países parceiros da Rússia nos BRICS, não estão minimamente interessados na imparcialidade da resolução do conflito Rússia-Ucrânia, sendo que a vontade que os “norteia é mesmo tornarem-se numa cortina defensiva” para o Kremlin.

Lisboa incapaz de atrair países africanos de língua portuguesa para a Cimeira

Por ocasião da visita do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a Portugal, em Maio, o inquilino de São Bento, Luís Montenegro, revelou que a rede diplomática do seu país e o próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, desenvolveram esforços no sentido de mobilizar países terceiros, sobretudo Estados-membros da CPLP, para participarem na cimeira na Suíça. Uma operação diplomática que acabou por se revelar um fiasco, face aos resultados à vista de todos.

A Rússia efectuou uma jogada espectacular de cariz internacional que condicionou várias Nações africanas de língua portuguesa, tendo em conta a facilidade que Moscovo tem em satisfazer as vontades de certos governos africanos em diversas matérias, com a excepção da perspectiva democrática e as vontades de certas capitais africanas que podem ser acauteladas pelos russos concorreram para que vários Estados africanos não se fizessem presentes na reunião de líderes, que visou o alcance de paz para a Ucrânia, organizada na Suíça, entre 15 e 16 deste mês.

Moçambique, Guiné Bissau, Angola e Guiné Equatorial, por exemplo, não se fizeram presentes à Cimeira de Paz realizada entre os dias 15 e 16, na Suíça. São Tomé e Príncipe fez-se representar apenas a nível ministerial pelo chefe da diplomacia, Gareth Guadalupe. Cabo-Verde foi o único membro dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) que se fez representar a mais alto nível pelo seu primeiro-ministro (chefe do governo), Ulisses Correia e Silva.

Portanto, há evidências claras de aproximação de muitos dos países do PALOP à Rússia. Moçambique intensificou a parceria com a Rússia após a visita de Sergey Lavrov, o chefe da diplomacia do Kremlin, em 2023.

Recentemente, São Tomé e Príncipe celebrou um importante acordo militar com o país de Vladimir Putin.

No caso de Angola, durante um tempo considerável, o Presidente João Lourenço não se coibira de criticar a Rússia nos fóruns mundiais em que era convidado por conta da invasão deste país contra a Ucrânia. Uma postura que foi deixada de lado muito recentemente.

No Dia Nacional da Rússia, na semana passada, João Lourenço felicitou o seu homólogo Vladimir Putin e o povo russo, tendo manifestado o interesse de Angola em aprofundar a cooperação mútua e de estreitar as relações de amizade históricas que unem os dois países há décadas. Nem parecia ser o Presidente João Lourenço.

Na mensagem enviada ao chefe de Estado russo, de acordo com a página da Presidência angolana, o Presidente disse entre outras coisas o seguinte: “as relações de amizade entre Angola e a Rússia apresentam perspectivas de um futuro em que podem ser aprofundadas cada vez mais”, sendo que esse aprofundamento passa “pela implementação de projectos de cooperação mutuamente vantajosos em domínios de interesse comum”.

Portanto, para diferentes segmentos, a Cimeira de Paz para a Ucrânia sofreu um boicote deliberado (por parte dos aliados do Kremlin) e não alcançou as premissas ideais para o fim da guerra, sendo que ficou ensombrada pelas exigências de Vladimir Putin, de que a Ucrânia deve ceder quatro províncias à Rússia, além de não aderir a NATO.