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Sociedade

Cidadãos de Luanda retidos noutras províncias estão a viver de mendigar

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A semelhança dos gritos de socorro provenientes de angolanos retidos no estrangeiro por conta da covid-19, cidadãos nacionais, retidos em diversas províncias do país, com residências em Luanda, têm estado a viver dias difíceis, por falta de abrigo, de alimento, e por não terem como sustentar os seus filhos que deixaram na capital.

O drama tem levado cidadãos a pedirem, através de órgãos de comunicação, apoio aos governos nas províncias onde se encontram retidos, apoios estes, que nem sempre são atendidos.

Por não ter mais como auto sustentar-se, Afredo Calipa, de 43 anos, que viajou a Benguela em busca de peixe para comercializar em Luanda antes de ser decretado o Estado de Emergência, que culminou com o encerramento das fronteiras terrestres, viu-se agora obrigado, dado ao sofrimento físico e psicológico, e de incertezas de não saber quando poderá regressar, a encontrar uma solução para sobreviver: trabalhar com carro de mão, levando mercadorias, foi a opção encontrada para manter-se vivo e com saúde, naquela província.

Em carta enviada ao Correio da Kianda, explica que, assim como ele, muitos outros cidadãos encontram-se nas mesmas condições e o regresso à Luanda é o único clamor que pedem às autoridades.

Marcelina Vissapa é uma outra cidadã que em nome de muitos outros, segundo escreve em carta enviada a este jornal, que retidos na província do Bié têm vivido dias difíceis, segundo relata.

Conta que tudo o que tinha pagou em aluguer de uma residência. E para poder sobreviver, no Cuito, tem recebido bolinhos de uma cidadã residente naquela província para ‘zungar’ em mercados informais, um meio que tem servido de sustento para si, mas, o que mais lhe apoquenta, são os filhos que se encontram em Luanda, sem pai, e que dela, apenas dependem.

“Não está a ser fácil para nós que vivemos em Luanda viver aqui no Bié. O nosso dinheiro acabou, e hoje para sobrevivermos estamos a ‘zungar’ bolinho de senhoras para podermos nos sustentar. O nosso único clamor é que o governo nos dê, nem que for mais só um dia para podermos regressar em Luanda onde estão os nossos filhos que muitos já não têm pai e dependem apenas de nós”, escreveu.

São cidadãos que, na sua maioria não conseguiram regressar as suas casas,  durante a moratória de dois dias,  dadas em Abril pelo Executivo, que  permitiu que cidadãos que se encontravam nas demais províncias pudessem regressar às zonas onde vivem.

“Nós não precisamos de voos como os outros que estão no exterior, só precisamos que abram os caminhos por mais dois dias para regressarmos as nossas casas,  até porque aqui nas províncias onde estamos ainda não tem covid, e antes nos fazerem regressar, testem-nos, por favor. Ajudem-nos senhor, presidente!”, clamam.

 

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