Connect with us

África

Cheias: Líbia procura empresas internacionais para reconstrução de danos

Published

on

As autoridades do leste da Líbia estão a procura de organizações internacionais que apresentem projectos rápidos de reconstrução de cidade destruída pelas cheias no passado dia 10.

Para tal, o governo está a organizar uma conferência internacional, a ter lugar a 10 de Outubro próximo na cidade de Derna, devastada pelas mortíferas inundações na noite de 10 para 11 deste mês.

“O Governo convida a comunidade internacional a participar na conferência que tenciona organizar a 10 de outubro em Derna para apresentar projectos modernos e rápidos para a reconstrução da cidade”, declarou a administração do leste da Líbia em comunicado assinado pelo respectivo líder, Oussama Hamad.

No documento, o governante refere que a convocação da conferência internacional é para dar “resposta aos pedidos dos residentes da cidade atingida de Derna e de outras cidades [no leste] que sofreram danos” após a passagem da tempestade Daniel em 10 de Setembro.

A Líbia está dividida em dois desde a queda de Muammar Kadhafi, em 2011, e é governada por duas administrações rivais: uma em Trípoli (oeste), reconhecida pela ONU e dirigida por Abdelhamid Dbeibah, e outra no leste, representada pelo parlamento e filiada no campo do poderoso marechal Khalifa Haftar.

A tempestade atingiu Derna, uma cidade de 100.000 habitantes junto ao Mediterrâneo, com toda a força, provocando o rebentamento de duas barragens a montante e desencadeando uma inundação semelhante a um tsunami.

De acordo com o último balanço oficial provisório, divulgado ontem, cerca de quatro mil pessoas perderam a vida nas cheias e ainda um considerável número de pessoas continuam desaparecidas.

A 18 deste mês, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) estimou em mais de 880.000 pessoas o total de afectados pelas inundações que assolaram o leste da Líbia, calculando em cerca de 40.000 o número desalojados devido ao ciclone.

O OCHA, que indicou que estava a analisar a situação com as autoridades líbias do leste do país, referiu que, antes das inundações e da tempestade, cerca de 300.000 pessoas necessitavam já de assistência humanitária, total que quase triplicou.

Nesse sentido, o OCHA considerou os acontecimentos como “catastróficos” e indicou ter já desbloqueado 10 milhões de dólares em fundos de emergência para acelerar uma primeira resposta, montante que considera, porém, “insuficiente”, dado que estão em causa 884.000 pessoas em cinco províncias líbias.

A agência da ONU pediu 71,4 milhões de dólares para ajudar 250.000 pessoas afectadas durante os próximos três meses.

A dimensão exacta da tragédia ainda é desconhecida, mas o relatório da OCHA aponta para o possível desaparecimento de 30% do que foi Derna, a cidade mais afectada pelas inundações, e de cerca de 2.200 edifícios danificados.

Além disso, as principais estradas continuam bloqueadas e a eletricidade e outros fornecimentos básicos continuam cortados.

A zona de Derna regista o maior número de deslocados, cerca de 40.000, mas a Organização Internacional para as Migrações (OIM) constatou também que alguns dos desalojados se deslocaram para mais longe. Em Benghazi, mais a oeste, estão cerca de 2.500 deslocados.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) distribuiu cobertores, lonas de plástico e utensílios de cozinha a 6.200 famílias deslocadas em Derna e Benghazi.