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Cultura

Carmo Neto deixa comando da União dos Escritores Angolanos

Três mandatos e 9 anos a frente dos destinos da maior organização cultural angolana, a União dos Escritores Angolanos (UEA), o ainda secretário-geral, António Carmo Neto, diz que deixa o leme do barco com o sentimento do dever cumprido.

Angop

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Prestes a deixar o cargo, com as eleições dos novos corpos sociais marcadas para este mês, Carmo Neto fala de um trabalho árduo, difícil mais compensante, pois, apesar das dificuldades financeiras, conseguiu levar em diante alguns projectos traçados.

Em entrevista à Angop balanceando à sua passagem pela UEA, o escritor aponta como ganhos, no domínio editorial, dentre as quatros colecções, a edição 100 títulos.

Carmo Neto aponta ainda como ganho o facto de as acções de promoção da literatura angolana no estrangeiro ganharam novo fôlego, com a participação em eventos internacionais e de os livros editados pela UEA  encontrarem boa recepção em todo espaço onde são vendidos.

Relativamente à promoção da literatura e dos escritores angolanos no exterior, avança que se apostou forte também no processo de tradução da literatura angolana em outras línguas, nomeadamente italiano, francês, inglês e alemão, árabe, espanhol, cujas antologias também em português serão encaminhadas para o Instituto de Literatura Universal, através da Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto (UAN).

No âmbito das parcerias, Carmo Neto destacou, entre outras, os acordos firmados com instituições nacionais e internacionais no âmbito das suas responsabilidades sociais, entre os quais, o Acordo de Cooperação Cultural com a Academia Cabo-verdiana de Letras, para um Programa Permanente e Difusão Literária, Artística e Cultural.

Sobre o estado actual da literatura angolana, avança que caminha melhor, quer em termos quantitativos como qualitativos.

“É verdade que temos ainda algum percurso a percorrer, mas estamos muito bem encaminhados. Melhorou a quantidade e a qualidade de livros literários no mercado. Devem baixar os preços dos livros. Que sejam inferiores ao custo de uma cerveja. Precisamos de mais livrarias e bibliotecas no país para melhor promoção do livro e da literatura angolana”, reforçou.

O escritor manifestou preocupação face ao preço do livro no mercado angolano, destacando o facto de a UEA vender os seus livros abaixo do preço real, tendo em consideração o custo de produção.

“Os nossos livros infantis são todos vendidos a mil kwanzas, para incentivar os pais a comprá-los e ajudar os filhos a ganhar o gosto pela leitura, para se transformarem em bons técnicos no futuro. Mas é bom referir que a Lei de Promoção do Livro e da Leitura prevê que parte dos livros editados pelos escritores, isto é, 20 porcento, deve ser adquirida pelo Executivo, para a sua posterior distribuição às bibliotecas. É preciso fiscalizar a execução desta Lei, bem como a sua regulamentação ser exercida efectivamente”, disse.

Apesar de reconhecer que o livro deveria ser mais barato, por exemplo, que a cerveja, adianta, no entanto, que existem condicionantes que fazem com que seja vendido a um preço um pouco mais elevado. “As famílias também jogam um papel fundamental neste processo, as creches, as escolas, os professores. Felizmente a lei da promoção do livro e da leitura acolhe todas estas situações de facto”, asseverou.

Nasceu a 16 de Outubro de 1962, em Malanje. Advogado e jornalista, é membro da Ordem dos Advogados de Angola e da União dos Jornalistas Angolanos.

Contista, é actualmente o secretário-geral da UEA. Exerceu a função de director da Revista Militar das Forças Armadas Angolanas nos anos 80, tendo sido primeiro por eleição e depois por nomeação. É membro fundador do Jornal Desportivo Militar.

Os seus contos integram diversas antologias publicadas em Angola e fora do país, estando traduzido em inglês, francês, árabe e espanhol.

Romancista, contista e cronista, Carmo Neto pertence à Geração de 80. Conciliar as actividades da advocacia e do jornalismo das funções públicas não foi uma tarefa simples, mas foi desse encontro que emergiu o escritor, “o ser vivente”.

Obras:

1985 – A Forja

1988 – Meu Réu de Colarinho Branco

2000 – Mahézu

2004 – Joana Maluca

2007 – Degravata

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