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Sociedade

Camponesas prometem “enfeitiçar” militares que  demoliram  suas moradias

António Sacuvaia

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Os populares, na sua maioria camponeses, vítimas das demolições  que têm sido levadas a cabo nos últimos dias, supostamente por militares a mando da administração de Cacuaco, ameaçam recorrer ao feitiço como forma de travar os agentes da polícia e militares que têm estado a demolir as suas terras de cultivo e moradias no bairro 4 de Abril, arredores da centralidade do Sequele.

Em entrevista ao Correio da Kianda, as camponesas prometeram recorrer a famosa “tala”, um suposto feitiço que provoca inflamação numa determinada região do corpo – doença, que até ao momento não encontra explicação na medicina convencional.

Segundo as mesmas, há muito que o governo de Luanda tem estado a demolir residências e terras de cultivo naquela zona, sem uma justificação plausível, alegando apenas, serem construções anárquicas, feitas em reservas fundiárias do Estado.

“A arma dos camponeses é a ‘tala’ e nas areias onde esses militares que vieram partir as nossas casas pisaram, nós vamos pegar nesta terra, vamos trabalhar nesta terra que eles pisaram lá e vamos fazer feitiço para  apanharem ‘tala’ e lhes fazerem sofrer, para eles reconhecerem que afinal fazer mal aos filhos dos outros não é bom”, ameaça uma das camponesas.

As camponesas vão mais longe e acusam o governo de João Lourenço de  desumano, por não estar a dar um  destino aos cidadãos que lhes têm sido demolidas as suas residências.

“Hoje o governo não dá valor a estes todos custos que o povo de baixa renda faz. Chega de qualquer modo e de qualquer forma  e vem demolir sem piedade. Isso assim é um governo de bem?”, questiona a camponesa, lamentando.

Nos seus depoimentos, acrescentam as mesmas, que são cidadãs que vivem naquela zona antes mesmo de surgirem prédios naqueles arredores e que enquanto camponesas,  várias são as promessas que lhes terão sido feitas, como por exemplo, a de viver no projecto habitacional construído no bairro Maye Maye em troca das suas lavras.

“Nós somos um povo que temos uma história aqui para contar.  E quando fomos demolidos, fomos prometidos que poderiam nos meter nestes condomínios, que poderíamos beneficiar também destes condomínios que construíram aqui ao lado, em troca das nossas terras, mas não passou de mentiras”, atiram-se contra o governo.

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