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Campanha contra pólio deixa crianças por vacinar em várias zonas de Luanda

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Apesar da primeira ronda da campanha nacional de vacinação contra a poliomielite, realizada entre 26 e 28 de Março, várias crianças em Luanda ainda não receberam a dose necessária, levantando preocupações entre autoridades de saúde e famílias. No domingo, dia reservado para a repostagem, estima-se que cerca de 1,95 milhões de crianças de 0 a 5 anos tenham sido vacinadas, mas há áreas críticas que ficaram de fora.

A chefe de secção de cuidados primários, Felismina Neto, alertou que o vírus da pólio ainda circula no meio ambiente e que a imunidade exige mais de uma dose. “O vírus da pólio pode levar à paralisia e não existe medicamento ou cirurgia que reverta o quadro”, disse, reforçando a necessidade de vacinação obrigatória.

Moradores de bairros periféricos de Luanda relatam dificuldades de acesso às brigadas de vacinação. No Macuía, por exemplo, Maria Kunda, mãe de dois filhos, afirmou.

“Os agentes de saúde passaram pela rua principal, mas na minha zona, mais afastada, ninguém veio. Não sei quando meus filhos vão ser vacinados.”

Em Parapeito, o jovem pai António Lopo denunciou falhas na logística.

“Algumas crianças ficaram de fora porque a equipe tinha poucas vacinas. Saímos de casa cedo e mesmo assim não conseguimos vacinar nosso bebê de um ano.”

Em outros bairros como Samba e Cacuaco, relatos semelhantes apontam que a distribuição das vacinas foi desigual, deixando dezenas de crianças sem imunização. A situação preocupa profissionais de saúde, que alertam para o risco de novos surtos, especialmente nas zonas onde o vírus foi importado da República Democrática do Congo e exportado posteriormente para a Namíbia.

A campanha terá uma segunda fase em Maio para garantir a imunidade completa, mas especialistas reforçam que a cobertura precisa chegar a todas as crianças.

“Se não houver esforço para alcançar as zonas periféricas, o risco de transmissão persiste”, frisou Felismina Neto.

Enquanto isso, famílias das áreas menos abrangidas expressam ansiedade e exigem que o governo intensifique a mobilização e chegue a cada criança. A experiência mostra que a vacinação incompleta pode comprometer todo o esforço nacional de combate à poliomielite.

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