África

Bobi Wine denuncia invasão militar à sua residência e rejeita resultados eleitorais no Uganda

Publicado

em

O líder da oposição ugandesa, Bobi Wine, denunciou este sábado, 17, uma operação militar e policial contra a sua residência, em Magere, durante a noite, num contexto de forte tensão política após o anúncio de resultados eleitorais contestados pela oposição.

Em declaração pública, Bobi Wine afirmou que militares e agentes da polícia invadiram a sua casa, cortaram a energia eléctrica, desligaram algumas câmaras de videovigilância e mantiveram helicópteros a sobrevoar a zona. O opositor confirmou que conseguiu escapar da operação, encontrando-se actualmente fora de casa, enquanto a sua esposa e outros familiares permanecem sob prisão domiciliária.

Segundo Bobi Wine, as forças de segurança estão a procurá-lo em várias partes do país, obrigando-o a manter-se em local seguro. O dirigente da Plataforma de Unidade Nacional (NUP, na sigla em inglês) reconheceu que a sua ausência gerou preocupação e especulação sobre o seu paradeiro, situação agravada pelo corte nacional do acesso à internet decretado pelas autoridades.

O líder da oposição explicou que, devido à operação nocturna e ao impedimento de acesso à residência, vizinhos concluíram que ele e a família teriam sido raptados, informação que se espalhou rapidamente.

No plano político, Bobi Wine reiterou a “rejeição total” dos resultados eleitorais anunciados pela Comissão Eleitoral, liderada por Simon Byabakama, alegando que os números divulgados “não têm qualquer legitimidade”. Entre as irregularidades apontadas estão o enchimento de urnas, a intervenção militar no processo eleitoral, a detenção de dirigentes da oposição e de membros das mesas de voto, além de outras violações da lei eleitoral.

O opositor condenou ainda a morte de vários cidadãos que, segundo afirma, tentavam manifestar-se de forma pacífica contra o que classificou como “violência à luz do dia”. Para Bobi Wine, os ugandeses têm o direito constitucional de protestar e de defender a sua soberania política, rejeitando o que descreve como criminalidade no processo democrático.

A Plataforma de Unidade Nacional denuncia também perseguição a candidatos do partido em várias circunscrições do país, incluindo casos em que, segundo a oposição, existem provas claras de vitória eleitoral. Bobi Wine classificou a situação como “loucura absoluta”.

Apesar do clima de repressão e contestação, o líder da oposição afirmou acreditar que “o povo do Uganda acabará por vencer”.

A declaração foi acompanhada por imagens registadas durante a noite da operação e na manhã seguinte, segundo indicou o próprio Bobi Wine.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Exit mobile version