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Bispos católicos pedem executivo que não governe para “privilegiados”

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Os bispos católicos defenderam hoje que Angola precisa de um Governo competente, que “governe para todos e não apenas para aqueles que o elegeram e, pior ainda, para uma elite de privilegiados”.

A posição foi expressa numa Mensagem Pastoral sobre as eleições gerais previstas para agosto, lida no final da primeira assembleia plenária da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), que terminou hoje na província de Benguela.

A mensagem dos bispos em ano de eleições visa “no mínimo” ajudar a “superar o ceticismo, a desconfiança e a indiferença, diante deste acontecimento importante, que marca a vida da sociedade, também da igreja de Angola”.

De acordo com os bispos, passados mais de 40 anos desde a conquista da independência de Angola, os angolanos continuam a “sonhar com um país próspero, democrático, sem corrupção, socialmente justo e economicamente sustentável”.

Para os prelados, Angola precisa igualmente de uma oposição forte, que obrigue quem governa a dar o melhor de si em prol do bem de todos.

“As eleições são para este efeito o instrumento que permite aos cidadãos escolherem os seus representantes e o projeto político que querem ver implantado nos próximos anos, contribuindo com a escolha expressa pelo seu voto, para a construção de uma sociedade mais justa e um futuro melhor para todos”, referem os bispos.

Na sua mensagem, os bispos da CEAST sublinham que a Igreja Católica “encara com simpatia o sistema da democracia”, mas ela não pode “favorecer a formação de grupos restritos de dirigentes, que usurpam o poder do Estado, a favor dos seus interesses particulares ou dos objetivos ideológicos”.

Acrescentam que há eleições democráticas, quando o povo pode escolher “com liberdade e responsabilidade e sem intimidação, nem aliciamentos, aqueles que a seu ver têm qualidades necessárias para promoverem o bem comum”.

Aos partidos políticos que vão concorrer às eleições, os bispos exortam a apresentação aos cidadãos de programas políticos, que pretendem implementar se forem eleitos.

“Não se limitando a apontarem meias frases ou metas vagas, como melhorar a educação, melhorar a saúde, combater a corrupção, mas esclarecendo que metas concretas se propõem a alcançar, como se propõem a alcançá-las, quais as pessoas competentes, com que cada partido conta, para pôr em prática o seu programa político”, refere a nota.

Os bispos apelam à responsabilidade de todos para o bom curso do processo eleitoral, antes, durante e depois das eleições, e aos responsáveis políticos e partidários para que garantam a “máxima transparência de todas as fases do processo eleitoral para que decorra de forma pacífica e a sua credibilidade não seja colocada em questão”.

“Este apelo dirige-se de igual modo à sociedade civil. Se alguém detetar alguma irregularidade deve informar e reclamar imediatamente nos termos da lei, para que eventuais irregularidades sejam analisadas e tidas em conta antes da divulgação dos resultados. De modo a que estes não venham a ser questionados”, apelam os prelados.

“A igreja católica não se identifica com nenhum sistema político nem endossa algum candidato, todavia, a igreja encoraja e exorta todos os cidadãos a exercer o seu direito e dever de voto”, acrescentam.

 

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