Sociedade
Benguela: Onze anos depois familias dos Cabrais continuam a dormir ao relento
Várias famílias do bairro dos Cabrais, no município do Biópio estão há exactos onze anos a viver ao relento, depois das chuvas de 11 de Março de 2015 que os desalojou nos municípios de Benguela e de Catumbela, obrigando o governo provincial a realijá-los na zona dos Cabrais onde viria a ser constrída uma urbanização.
Passados 11 anos, as famílias continuam ao relento, apesar de terem sido já concluídas algumas das habitações.
os moradores da zona denunciam no entanto, a existência de habitações já concluídas, mas que não são entregues aos donos.
É o caso da senhora Rosária Luzia que passados 11 anos continuar a residir num casebre, vulgo bate chapa, junto mesmo a sua nova casa, que se encontra fechada há já alguns anos.
“continuo a viver no bate cg«hapa até aqui, mas o problema que me faz ficar na bate-chapa até aquí é questão de acabar as casas e levaram as chaves”, desabafou, sublinhando que está a respeitar as autoridades administrativas.
A residência da dona Rosária foi a segunda a ser concluída pela empresa empreiteira, de um total de sete, mas que se encontram fechadas.
Esta cidadã contou que por conta do sofrimento diário de viver ao relento com as crianças, um dos vizinhos viu-se obrigado a forçar as fechaduras da casa, abriu uma das portas e todas as noites pernoita com as crianças no interior da residência.
Rosária Luzia com mora com cinco crianças sublinha que estão há um ano e nove meses a aguardar pela entrega das chaves das residencias, desde que foram concluídas.
Agastada com a situação pede intervenção urgente das autoridades. “vejam o que dá para fazer por nós. Nós estamos mesmo mal”, desabafou em geito de socorro.
Outro morador que também vive a situação, que tem um filho com a perna partida provocado pelas chuvas de 2025, disse que por conta do sofrimento de estarem a morar em casebres, mesmo tendo as residências já concluídas, ele e outros vizinhos foram recebidos em audiência pelo administrador, onde lhe foi informado que o empreteiro se nega a entregar as chaves das residências já concluídas, bem como de terminar as demais, pelo facto de as autoridades da província ainda não terem honrado com os pagamentos do contrato da empreitada.
Por esta razão, acrescentou, optaram por arrombar uma das janelas e a porta para se instalarem no interior das residências com as suas respectivas famílias.
Entretanto, o Administrador do Biópio, Armindo Cassoma, em entretvista à MFM assegurou que na última terça-feira chamou o empreteiro para inteirar do problema das habitações da zona dos Cabrais.
“uma das questões abordadas neste encontro foi exactamente a situção das casas que já foram concluídas, mas que não foram entregues oficialmente. A explicação que foi dada pelo senhor Beto [empreteiro] é que existem mais de 50 casas que não foram oficialmente entregues”, disse, sublinhando que algumas dessas habitações foram concluídas com os moradores já la dentro.
“algumas pessoas que na altura estavam presentes puderam receber as suas chaves, não de forma oficial, mas estão lá a viver nas suas residências, mas existem outras famílias cujas casas foram concluidas e que nunca tiveram acesso às chaves”, acrescentou.
Armindo Cassoma disse ainda que recebeu garantias de que estas chaves estão de facto com a empresa empreiteira, mas que quem tem a legitimidade para fazer a entrega oficial das chaves é o governo provincial de Benguela.
O administrador do Biópio, um dos mais novos municípios de Benguela, disse que incumbiu o empreiteiro de apresentar a ideia ao governo provincial e esperar pela reação do governo de Manuel Nunes Júnior.
