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Sociedade

Bengo: trabalhadores da empresa pública de água sem salários há sete meses

António Cassoma

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Os trabalhadores da Empresa Pública de Água e Saneamento (EPAS) do Bengo estão sem salários desde Janeiro, situação que ocorre devido a crise financeira pela qual a empresa passa, agravada com a Covid-19, que obrigou-os à paralisação do abastecimento de água à população, disse hoje ao Correio da Kianda, um dos membros do sindicato da empresa.

A fonte, que pediu para denunciar em anonimato, disse que estão sem salários há sete meses, reclamando pelos cerca de trezentos trabalhadores daquela empresa que se manifestam preocupados face à situação de confinamento, devido ao novo coronavírus, que obrigou-os a paralisação de abastecimento de água às populações desta província há mais de quatro meses.

“Já lá vão quatro meses que nós, os trabalhadores, paralisamos os serviços, mas sempre negociando com o conselho de administração, o provedor da Justiça e o vice-governador, a fim de resolverem estes problemas, mas até aqui são promessas atrás de promessas”, lamenta.

Segundo o sindicalista, a situação agravou-se ao ponto de merecer a intervenção do Secretário de Estado para as Águas, Lucrécio Alexandre Manuel da Costa, que reuniu de imediato com o conselho da administração da EPAS-Bengo, com membros do governo local e representantes do sindicato.

“No passado dia 10 de Junho, o secretário esteve cá e garantiu-nos que pagaria os seis meses em atraso. No decorrer do tempo, o conselho de administração da empresa ficaria a pagar outros subsídios. Para o nosso espanto, até aqui, depois da orientação do Secretário de Estado, não nos dizem nada, nem o vice-governador e nem os responsáveis da empresa”, entrega.

As negociações continuaram e os levou a reunirem mais uma vez, no dia 6 de Julho, já com o vice-governador do Bengo para os Serviços Técnicos e Infra-estruturas, Agostinho da Silva, com o presidente do Conselho de Administração da EPAS-Bengo, Domingos Francisco Gomes, e o administrador para Área das Finanças da mesma empresa, onde foi assinado um memorando com os responsáveis do sindicato, concordando que pagariam um mês e dentro de dez dias pagariam outros meses para o retorno dos serviços normais.

  “Até que no dia 6 do mês em curso tivemos que exigir a elaboração de uma acta de comprometimento que, pagar-nos-iam um mês e os 6 meses pagariam dentro de 10 dias. É isso que fizemos, pagaram-nos tal um mês, mas para o nosso espanto, depois de aguardamos os dias prometidos e com as assinaturas dos responsáveis da empresa e do vice-governador, não nos pagam”, disse, com isso, resolveram “fechar de novo os serviços de fornecimento de água na província”.

Serviços paralisados

A fonte que estamos a citar vê com bastante preocupação o não abastecimento de água à população em fase da Covid-19, mas, segundo o responsável, é necessário, porque são chefes de família e que esta é a única forma de pressionar para que resolvam os problemas deles:

“Enquanto cidadão, posso concluir que as doenças vão aumentar, uma vez que não há o fornecimento de água potável, que é essencial para vida. Agora por negligência dos dirigentes, a população será obrigada a ir ao rio ou às valas para buscar água para o consumo diário”.

O presidente do Conselho de Administração da Empresa Pública de Água e Saneamento do Bengo (EPAS-Bengo), Dominigos Fernando Gomes, confirmou ao nosso jornal a paralisação dos serviços e os atrasos dos salários e subsídios dos trabalhadores:

“Não há nenhum contraditório, pelo contrário, existe essa dívida com os trabalhadores há vários meses, mas já estão em curso as diligências no sentido de colocarmos um ponto final a situação, mas depende do Ministério da Energia e Água e do Ministério das Finanças, que em breve poderão rever tais situações”.

Quanto a paralisarem os serviços de abastecimentos de água à província, Domingos Fernando Gomes, disse que passaram a depender de Luanda, através de camiões que estão a levar água à população.

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