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Economia

BCI: economista é contra a privatização e sugere fusão com BPC e BDA

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O Governo anunciou na última semana, o início do processo de privatização, em leilão, do Banco de Comércio e Indústria (BCI), no âmbito do Programa de Privatização de Empresas Públicas (PROPIV), sob a responsabilidade do IGAPE, do qual 100% das acções serão arrematadas em bloco indivisível, dirigido exclusivamente aos candidatos especialmente qualificados. O economista Daniel Sapateiro entende que a melhor solução não é privatizar o BCI, mas fundi-lo com outros dois bancos públicos, BPC E BDA, que estão em restruturação, para melhor reflexos na economia angolana.

O anúncio da privatização foi feito no passado dia 18 de corrente mês, no âmbito do Programa de Privatizações (PROPRIV) que o Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) leva a cabo, de acordo com o Despacho Presidencial nº 66/20, 5 de Maio de 2020.

Com base nos procedimentos a ter em conta serão admitidos, no máximo, cinco candidatos especialmente qualificados, conforme estabelecido nos Termos de Referência aprovados, em conjunto com o Caderno de Encargos, através do Despacho da Ministra das Finanças n.º 1227/2021 publicado no Diário da República, II Série, n.º 36, de 11 de Março de 2021.

Segundo o economista Daniel Sapateiro, as assimetrias que se verificam um pouco pelo país, são problemas que atrasam o desenvolvimento do país e, por isso, devem ser atacados o mais breve. Para ele, a banca angolana tem um papel preponderante neste quesito, visto que a instalação de uma única agência bancária numa localidade tem reflexos significativos para a economia de toda a região, já que a falta destas instituições nas “regiões remotas” inibe as iniciativas de investimento privado.

Entretanto, o também docente universitário recorre da sua pesquisa de defesa de tese de doutoramento para dizer que quando se privatiza uma instituição financeira, o novo gestor define como acções prioritárias o aumento da margem financeira e o redimensionamento da rede de agências bancárias.

No caso da fusão dos três bancos públicos, Daniel Sapateiro diz que tal facto resultaria na criação de uma “super estrutura” em termos de capitais próprios, capacidade de captação de depósitos e aforros e de atribuição de crédito, melhor apoio ao investimento e empreendedorismo na economia real.

Apoio às exportações

Outro ganho, adianta, ainda é a capacidade deste banco de apoiar às exportações angolanas e ser um veículo fiduciário para o apoio às importações por via de correspondentes bancários estrangeiros com este banco, ser o veículo depositário de distribuição de empréstimos de entidades como BAD (Banco Africano de Desenvolvimento).

Para ele, o impacto da privatização do Banco de Comércio e Indústria na economia angolana fica dependente “de quem seja o comprador das 100% das acções do banco”.

Explica que “caso seja um banco a operar em Angola teremos o fenómeno de fusão e com certeza haverá impacto ao nível da estrutura e do seu dimensionamento, ao nível de emprego no novo banco surgido da fusão”, uma solução que entende ser incontornável.

“Haverá um encaixe financeiro pelo accionista Estado, do qual neste momento, ainda não é claro, pelo que devemos aguardar por mais informações pelo IGAPE, que dependendo do montante a liquidar pelo comprador, pode ajudar o Governo em algumas das suas missões e prioridades”, disse.

Sobre a manutenção dos postos de trabalho aos colaboradores directos do BCI, garantidos no processo de privatização, Daniel Sapateiro diz que “os empregos estão garantidos sempre que financeiramente os mesmos garantam a rentabilidade da operação de uma entidade bancária, como em qualquer empresa”, mas avisa que “a história de venda de bancos públicos é rica em despedimentos em massa e a colocação de pessoas-chave nas posições de gestão”.

Com a privatização, seja por via de fusão ou aquisição externa, o primeiro ganho a se registrar será “em termos qualitativos da nova organização”, que se deverá notar no seu Capital Humano, na sua formação e com processos operacionais e de controlo interno melhorados.

Entretanto, alerta ainda ter em conta o facto de que a nível mundial “os bancos estão em grande transformação em surdina, com despedimentos em grande número, para economias digitais, com relacionamento entre o banco e meios de pagamento digitais” e por isso, “os colaboradores bancários devem estar disponíveis para aprender e apreender novas formas de trabalhar e relacionar com os clientes particulares e empresas, a fim de que não sejam ultrapassados”, pois nos processos de venda de bancos, “os mais bem preparados são os qualificados para pertencer ao ‘novo banco’”.

Privatização é oportuna?

A privatização do Banco de Comércio e Indústria acontece numa altura em que a economia angolana encontra-se fragilizada pela crise financeira. Por esta razão, o economista Daniel Sapateiro entende que “o momento não é oportuno”, a julgar pelos seis consecutivos anos de recepção económica. Ao fazer esta afirmação Sapateiro olha para a perda do PIB acima de 12%, o rating do país nas principais agências de rating internacionais, e “outros paradigmas da economia e do sistema financeiro angolano”, para justificar que “este momento no mundo não é o melhor para vender activos e empresas, salvo aquelas que despoletaram aumentos de lucros e dos seus Balanços no ano de 2020, ou ainda aquelas empresas que estão investir e serão empresas de futuro.

Questionado sobre ganhos e perdas para o Estado angolano, com a privatização do BCI, o especialista é claro na resposta: “o Estado ganha encaixe financeiro que pode ser maior ou menor; um sucesso ou insucesso de acordo com o resultado do leilão; deixa de ter um banco deficitário com necessidades de injecção de capital e com isso iam à Dívida Pública”.

Sobre perdas, destaque para “a oportunidade de fundir os três bancos públicos; perde a oportunidade de ter agências e postos de atendimento próximo das populações, nomeadamente, as mais carentes; ausência de resposta em termos de educação financeira; pode ter afectação de aumento do desemprego qualificado, sendo que neste momento, os bancos estão a fazer reduções de Pessoal e um possível aumento da instabilidade social, aliado à forte redução de quadros de Pessoal do banco BPC” ocorrido na semana passada.

O banco está presente nas 18 províncias do país, e conta com uma rede de distribuição de 82 balcões e 31 postos de serviço.  Para a efectivação da privatização do banco, o IGAPE, seleccionou o Standard Bank Angola SA, em parceria com o The Standard Bank of South Africa Limited, como assessor financeiro, com quem tem estado a trabalhar na execução da privatização do respectivo activo.

 De recordar que o Banco BCI foi constituído em Agosto de 1991, sendo um banco angolano.

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1 Comment

1 Comment

  1. Pedro Henrique

    24/03/2021 at 11:35 am

    Se por ventura haver essa fusão espero que levantam esse banco.

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