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Economia

Bancos angolanos entram em Novembro com divisas ainda em mínimos de 2017

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A informação consta do relatório semanal do BNA sobre a evolução dos mercados monetário e cambial, entre 30 de Outubro e 03 de Novembro, e surge após os 74,5 milhões de euros e 226,3 milhões de euros disponibilizados à banca nas duas semanas anteriores.

Segundo o documento, consultado hoje pela Lusa, as divisas vendidas – mantêm-se exclusivamente em euros há um ano e meio -, equivalentes a 89,5 milhões de dólares, cobriram as necessidades de operações do sector industrial (77,4 milhões de euros) e operações do sector dos seguros (884,4 mil euros).

Foram ainda garantidos, segundo o BNA, necessidades de operações de salários, com a disponibilização de 1,8 milhões de euros.

A taxa de câmbio média de referência de venda do mercado cambial primário, apurada pelo banco central no final da última semana, manteve-se inalcterada nos 166,748 kwanzas por cada dólar e nos 186,302 kwanzas por cada euro, sem mexidas significativas há um ano e meio.

No mercado de rua, a única alternativa, embora ilegal, face à falta de divisas aos balcões dos bancos, cada dólar norte-americano custa à volta de 420 kwanzas.

O novo Presidente angolano, João Lourenço, deu posse precisamente a 30 de Outubro último a José de Lima Massano no cargo de governador do BNA, exonerando, a seu pedido, Valter Filipe, que estava em funções desde Março de 2016.

Angola enfrenta desde finais de 2014 uma crise financeira e económica, com a forte quebra das receitas com a exportação de petróleo devido à redução da cotação internacional do barril de crude, tendo em curso várias medidas de austeridade.

Esta conjuntura levou a uma forte quebra na entrada de divisas no país e a limitações no acesso a moeda estrangeira aos balcões dos bancos, dificultando nomeadamente as importações.

Além disso, devido à suspensão de acordos com bancos estrangeiros para correspondentes bancários para compra de dólares desde 2016, a banca angolana apenas consegue comprar divisas ao BNA (euros).

A gestão das divisas foi um dos assuntos que mereceu destaque no anual discurso sobre o estado da Nação, feito pelo Presidente angolano, João Lourenço, na Assembleia Nacional, a 16 de Outubro, durante o qual já deixava a antever a mudança no comando do BNA.

Numa altura em que as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) angolanas – reservas em moeda estrangeira necessárias para garantir importações – estão em forte queda, devido à crise financeira, económica e cambial que o país atravessa, João Lourenço apontou a necessidade de serem protegidas, mas sem que isso prejudique a recuperação económica.

“Vamos encontrar os melhores mecanismos para que as escassas divisas disponíveis deixem de beneficiar apenas a um grupo reduzido de empresas e passem a beneficiar os grandes importadores de bens de consumo e de matérias-primas e de equipamentos que garantam o fomento da produção nacional”, enfatizou.

“Importa impedir que a venda directa de divisas seja uma forma encapotada de exportação de capitais, sem o correspondente benefício para o país”, acrescentou o Presidente.

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