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Economia

Banca: pandemia obrigou a saltos de etapas no processo de digitalização

Manuel Camalata

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A revista Economia e Mercado organizou, nesta quarta-feira, 18, em Luanda, a sua terceira conferência anual sobre transformação digital em Angola. “Dos serviços financeiros ao comércio” foi o tema que juntou vários especialistas dos sectores da banca e das tecnologias para debater a influência que a pandemia da covid-19 exerce no processo de digitalização dos serviços financeiros e do comércio.

O administrador da Asseco PST, José Nunes, que proferiu, via Zoom, o tema “A digitalização da economia em contexto da pandemia”, começou por apresentar os dados sobre o uso da Internet a nível do mundo, tendo dito que Angola, a semelhança dos demais países da África subsaariana tem uma taxa de utilizadores a volta de 20% da população, ao passo que a América do Norte e a Europa já possuem mais de 78% da sua população a fazer o uso da Internet.

Esta diferença, segundo fez saber, influencia no impacto que as empresas e os clientes no sector enfrentam no processo da digitalização dos serviços, tendo advogado a necessidade de se empreender esforços para que a digitalização seja alcançada pela maioria das instituições e utentes de todos os serviços.

Entretanto, considerou ser necessária a migração para a Internet em banda larga para a efectiva digitalização dos serviços. Um desafio que considera mundial, pelo facto de até ao momento, apenas 35% da população do planeta ter acesso à banda larga.

O uso da Internet é hoje feito maioritariamente através de dispositivos móveis, com os números a atingir mais de cinco bilhões de pessoas através destas ferramentas, no mundo, acelerando, desta forma, o e-commerce através da qual empresas estão a aumentar o volume de suas receitas, e que resulta do facto de os bancos estarem conscientes de que a comunicação, a regulamentação e a educação são os três pilares da transformação digital no sector.

José Nunes considera, entretanto, a pandemia um acidente para o sector da banca, por forçar a adopção das plataformas digitais em todos os sectores de actividade comercial e financeira, “até mesmo para as pessoas resistentes às mudanças”, representando desta forma, “um conjunto de ameaças e oportunidades”, como a instabilidade cambial, a entrada de novos agentes e modelos de negócios, obrigado os bancos a adotar recursos tecnológicos à altura.

A falta de preparação abrange igualmente os usuários, que recorrentemente vêm-se em dificuldades no manuseio das ferramentas colocadas a sua disposição, correndo o risco de perder os seus investimentos financeiros.

Outra chamada de atenção dos conferencistas é que a pandemia acelerou a digitalização “fazendo em meses o que se fazia em cinco anos”, acarretando esta forma vários riscos, e obrigando a um copy/past das medidas tecnológicas que, entretanto, não se adequam à realidade dos países em desenvolvimento, como é o caso de Angola.

Tal resulta, segundo o especialista, ao salto dado fora do contexto. O salto da digitalização foi apontado como tendo sido de 2.0 para 4.0 em cinco meses o que devia ser feito em cinco anos, um salto de etapas provocado pela pandemia da covid-19, obrigando assim, aos bancos a duplicar o esforço, com investimento na educação da literacia digital, tanto para as próprias instituições como os seus clientes.

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