Sociedade
“Ausência de sistema informático de saúde coloca em risco vida dos pacientes”
Falta de uniformização do sistema informático de saúde em Angola dificulta a partilha de dados entre hospitais e pacientes que ficam com a vida em risco.
Especialistas e profissionais de saúde alertam que a falta de uniformização do sistema informático de saúde em Angola condiciona a partilha de dados entre hospitais e coloca em risco a vida dos pacientes.
O Director do Hospital do Prenda, Tomás Cassinda, explicou que a situação traz atraso ao atendimento e a duplicidade de exames, pois na maioria dos casos, os profissionais perdem tempo a procurar dados ou a repetir registos do paciente.
“Evitamos aquela sub-notificação, o mesmo paciente é cadastrado duas ou três vezes, ou quatro cinco vezes, o doente está a sair, por exemplo, do hospital que não tem aquela especialidade manda para o hospital do Prenda que também não tem essa especialidade porque os colegas não sabem, automaticamente nós temos que referenciar novamente numa outra unidade onde tem, esse paciente perde muito tempo, ao passo que se nós tivéssemos um sistema informático único com Controle Shif, todos os dados da informação do doente, nós sairíamos a ganhar”, disse.
Elsa Gomes, Directora Geral do Hospital Pediátrico David Bernardino, reiterou que a uniformização do sistema informático nas unidades sanitárias, interliga as diversas unidades, cria fluxos de abordagem do doente a cada nível, segundo a necessidade e a gravidade do paciente e acrescentou, que o atendimento seria mais célere, naquelas situações mais graves.
Já o Director Nacional dos Hospitais, Benedito Quintas, garantiu que os trabalhos estão a ser feitos para a revisão de protocolos de transferência de pacientes de hospital para hospital.
“Os pacientes costumam a ser referenciados da unidade de atenção primária dos hospitais municipais para os hospitais provinciais para os hospitais nacionais, muitas das vezes falta comunicação e quando falha a comunicação no atendimento do cliente cria sempre constrangimentos porque nós precisamos de informar a condição do paciente que estamos a referenciar para a equipa técnica de serviço e emergência e preparar as melhores condições para receber o doente, nem sempre funciona assim e nós reconhecemos”, frisou.
