Sociedade
Aumento de acidentes leva Governo a criar Centro Nacional do Trauma em Luanda
A província de Luanda vai ganhar um Centro Nacional do Trauma, uma unidade hospitalar especializada no atendimento a vítimas de acidentes e outras emergências graves, numa altura em que a sinistralidade rodoviária continua a pressionar o sistema de saúde em Angola.
A decisão consta do Despacho Presidencial n.º 79/26, publicado na I Série do Diário da República de 13 de Março, que autoriza a realização da despesa e a abertura de um procedimento de contratação simplificada para a construção e apetrechamento da nova unidade hospitalar.
O diploma delega competências à titular do Ministério da Saúde de Angola para conduzir todos os actos subsequentes do processo, incluindo a contratação das obras, dos serviços de fiscalização e a elaboração do projecto executivo da empreitada.
A criação do centro especializado surge num contexto de crescente preocupação com os acidentes de viação no país. Nos últimos anos, milhares de pessoas têm perdido a vida nas estradas angolanas, enquanto dezenas de milhares ficam feridas, muitas delas com lesões graves que exigem cuidados médicos especializados.
Especialistas consideram que os acidentes rodoviários representam hoje um dos maiores desafios de saúde pública no país, devido ao número elevado de vítimas e às sequelas físicas permanentes que muitos sobreviventes enfrentam.
Em Luanda, onde se concentra uma parte significativa do tráfego rodoviário nacional, hospitais públicos e privados recebem diariamente vítimas de colisões, atropelamentos, quedas e outros tipos de trauma.
Actualmente, o tratamento de pacientes com traumatismos graves é feito em diferentes unidades hospitalares da capital, muitas vezes sem estruturas totalmente especializadas para lidar com situações complexas como traumatismos cranianos, fracturas múltiplas ou hemorragias internas.
Médicos alertam que a inexistência de um centro nacional dedicado ao trauma pode atrasar intervenções cirúrgicas urgentes e obrigar à transferência de pacientes entre hospitais, o que aumenta o risco de complicações.
A criação do Centro Nacional do Trauma é vista por especialistas como um passo importante para reforçar a capacidade de resposta do sistema de saúde em situações críticas.
Este tipo de unidade reúne equipas multidisciplinares incluindo cirurgiões, ortopedistas, anestesistas, intensivistas e técnicos de emergência e dispõe de equipamentos específicos para o tratamento rápido de lesões graves.
Além de atender vítimas de acidentes rodoviários, o centro poderá também receber pacientes com traumas provocados por quedas, agressões, desastres ou outras situações de emergência médica.
Com a nova infra-estrutura, o Executivo pretende melhorar a capacidade de resposta hospitalar e reduzir a mortalidade associada a acidentes e outras lesões graves no país.
