Connect with us

Mundo

Ataque a Rafah: potências mundiais recriminam avanço israelita na Palestina

Published

on

A intransigência do primeiro-ministro israelita em alargar a guerra contra o Hamas para toda área geográfica da Palestina, sem um projecto concreto que possa preservar vivo o pessoal civil, está a arrastar o país hebreu para uma situação que pode ser perigosa para o mundo todo num futuro próximo, dado que, evidentemente, as potências não ficarão a olhar de lado para sempre. António Guterres, secretário-geral da maior plataforma política mundial, já tentou, ao invocar o artigo 99.º da ONU, impelir os Estados-Membros a uma intervenção.

Israel, um Estado concebido sob cinzas, por um povo (Judeu) que até ao fim da segunda guerra mundial foi o mais marginalizado de sempre, está rapidamente a escolher um caminho perigoso para toda a humanidade.

Potente militarmente, o Estado hebreu há muito que ignora as deliberações condenatórias da Organização das Nações Unidas (a maior plataforma política mundial), como por exemplo com a construção de projectos habitacionais (colonatos) em zonas juridicamente pertencentes à Palestina, e mais recentemente na continuação da guerra que trava com o Hamas, um grupo palestiniao tomado por terrorista pelo mundo ocidental.

É preciso recordar que o presente conflito militar, que se tornou no maior desafio do século para os líderes mundiais, foi provocado pelo Hamas, que, no início da tarde do dia 07 de Outubro de 2023, invadiu o território israelense sequestrando e matando civis e militares, além de, de forma humanamente inexplicável, decapitando quatro dezenas de crianças.

A acção foi bárbara e, consensualmente aos olhos da boa parte dos Estados, carecia de uma resposta forte, visando dissuadir actos semelhantes no futuro. Entretanto, o mundo não estava preparado para uma intervenção à escala até aqui empreendida por Israel.

Sob ordens de seu primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Israel reuniu o que tem de melhor nas suas forças armadas, as IDF, e criou um plano militar inicialmente modesto, mas que acabou se alargando à medida que vinha obtendo vitórias. Foram usadas as bombas mais pesadas e armas mais sofisticadas do mundo moderno.

Dados indicam que do ataque do Hamas, de 07 de Outubro, mais de 1.200 pessoas foram mortas em Israel, entre civis e militares, e mais de uma centena foram levados como reféns. De lá para cá, segundo o Hamas, que controla Gaza, mais de 20 mil pessoas já morreram em consequência da reacção israelita, uma reacção militar que não tem fim à vista.

Ataque à zona de Rafah pode precipitar o fim do apoio ocidental

O mundo, que inicialmente dera o ‘okay’ para o início da investida israelense contra o Hamas, já se manifesta contra a continuidade da guerra tendo em conta o número de mortes, bem como as ambições de Israel que passam por invadir Rafah, a única localidade segura em toda Palestina.

Para Israel, que no início de sua operação militar, apelou para que os civis se deslocassem para o Sul da Palestina, é essencial invadir Rafah, pelo facto de, no momento, albergar as bolsas resistentes do Hamas.

No entanto, em bloco, as potências mundiais têm outra perspectiva, dado que, para lá de Rafah, não existir qualquer outra zona segura para os civis.

Por exemplo, os Estados Unidos da América, a maior potência mundial, e principal aliado de Israel à face da terra, apelam, de forma peremptória, ao governo hebreu a parar a guerra. À semelhança de Washington, Londres, que juntos ajudam Telavive na defesa de ataques através do Mar Vermelho, perpetrados por grupos terroristas apoiados pelo Irão, também manifesta-se preocupado, e exige cessar-fogo já.

Visando demonstrar que falam sério, os EUA já aplicaram sanções a colonos israelitas que executam civis palestinianos. E já avisaram que não apoiarão Israel caso o seu exército seja enviado para a zona de Rafah.

Pequim também já pediu a Telavive para suspender a operação em Rafah “o mais rápido possível”.

A Alemanha e a França também mostraram grande preocupação; o Egipto ameaça romper o tratado de paz com Israel se as tropas israelitas forem enviadas para aquela localidade fronteiriça. Também a Turquia, aliado histórico de Israel, pediu segunda-feira ao Conselho de Segurança da ONU que “controle Israel”.

A Arábia Saudita condenou os planos de Netanyahu e requereu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para evitar uma “iminente catástrofe humanitária”, numa altura em que os Países Baixos suspenderam a exportação de peças de aviões de guerra para Israel.

A ONU já se manifestou contra uma invasão que na sua perspectiva seria “aterradora” e implicaria um número “extremamente elevado” de mortes civis.

O alto-comissário austríaco recordou a Israel as suas obrigações face ao direito internacional humanitário, e ainda as deliberações emitidas pelo Tribunal Internacional de Justiça em 26 de Janeiro passado, que exortou Israel a impedir um genocídio em Gaza através de acções “imediatas e definitivas”.

Por sua vez, o Tribunal Penal Internacional alertou que Telavive que todos “aqueles que violam a lei serão responsabilizados”.

Países podem se cansar de advertir

Não é de hoje que Israel é advertido a parar sempre que coloca sua ameaçadora força militar em acção. Mas até quando as potências poderão limitar-se a advertir?

António Guterres, actual secretário-geral da ONU, pretendia algo que Israel considerou perigoso. Invocou o artigo 99.º da organização, para que fosse o Conselho de Segurança da ONU a exigir um cessar-fogo.

O artigo 99.º da ONU foi invocado pela primeira vez em 1960 pelo sueco Dag Hammarskjõld, então secretário-geral da ONU, em relação à crise do Congo, e que levou ao envio de 20 mil soldados da paz da ONU àquele país.

Portanto, não tinha como Israel não manifestar irritação para com António Guterres. Caso o apelo do diplomata português ganhasse corpo, tropas da ONU, composto pelos melhores exércitos do mundo, seriam enviadas para Palestina, o que obrigaria Israel a parar com a ofensiva ou arriscaria a entrar em guerra com potências que destacariam seus melhores soldados na missão de paz.

Entretanto, a opção de Benjamin Netanyahu em avançar para Rafah, pode impelir as potências mundiais a perceber que a forma de travar Israel, seja a intromissão directa no conflito. Pode não ser agora, até o presente conflito militar pode terminar, mas essas acções de Israel, de intransigência constante, quer na ocupação de mais territórios juridicamente pertencentes aos palestinianos, quer na manutenção das guerras, seguindo exclusivamente os seus próprios interesses, podem, no futuro, levar as potências a não olharem para o lado, e mobilizarem exércitos para contrariar a hegemonia militar que Israel exibe na região.

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *