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Ascensão da extrema-direita na Europa pode ‘agitar as águas’ em África com regresso da massa crítica

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Com poucas excepções, as eleições europeias realizadas no domingo passado, dia 09, demonstraram que o ódio contra a imigração para aquele espaço geográfico começa a generalizar-se, o que pode ser perigoso para os africanos que tudo fazem para escalar aquele território, visando uma melhor condição de vida renegada nos seus países pelos seus governantes que acumulam riquezas pessoais, familiares e com amigos.

A noite de domingo acabou por ser negra na Europa para os imigrantes, mas também para os partidos defensores da continuidade do status quo do modelo de governança europeu, que passa pela manutenção das prerrogativas da União Europeia, da Comissão Europeia, bem como o funcionamento do seu sistema financeiro de integração.

Os partidos de extrema-direita ganharam maior fôlego nalgumas das maiores praças políticas. Em França, por exemplo, a segunda maior economia europeia e maior potência militar do continente, o presidente Emmanuel Macron viu-se forçado a ter que dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas, cuja primeira volta já está aprazada para 30 de Junho e o segundo turno para 7 de Julho.

Emmanuel Macron tomou essa decisão “dura e difícil” por conta do resultado que o seu partido Renew obteve nessas europeias, que não ultrapassou a barreira dos 15,2%, contra 31,5% do partido de extrema-direita Reunião Nacional, de Marine Le Pen, que teve Jordan Bardella como o principal candidato.

Na Alemanha, a maior economia da Europa, os extremistas de direita, embora não tenham vencido as eleições, ganharam mais espaço político. O mesmo ocorreu na Bélgica e noutras paragens.

Em Portugal, por exemplo, que tem sido o maior destino europeu para os cidadãos africanos de países de expressão portuguesa, o PS venceu as europeias, mas o Chega, a extrema-direita local continua de pé.

Em relação à França, logo após os resultados e o anúncio de Macron, Marine Le Pen não só saudou a decisão de dissolução do parlamento como aproveitou para se insurgir contra os imigrantes, que tem sido a tónica do seu partido.

“Estamos prontos para exercer o poder, para acabar com esta imigração massiva”, avisou Marine Le Pen.

Em Portugal, pressionado pelo Chega de André Ventura, alterou as regras para a imigração, determinando que, doravante, apenas entram para Portugal os imigrantes portadores de um visto de trabalho.

O Chega propõe ainda a limitação do número de pessoas que vivem em cada habitação, a agilização do repatriamento dos imigrantes que “queiram regressar voluntariamente ao seu país”, bem como o limite no acesso a apoios sociais a quem está há pelo menos cinco anos em Portugal.

Vista de outro ângulo, o problema para os imigrantes na Europa não são pura e simplesmente a Le Pen e o André Ventura (só para citar estes), dado que, do ponto de vista político-estratégico, só se mantém uma narrativa quando se tem apoiantes, e a expressam eleitoral da noite de domingo deixa claro que o ódio está a generalizar-se.

Importa referir que os africanos procuram escalar, seja de que meio for, a Europa, por conta da condição de vida que lhes são oferecidas pelos seus governantes, que apesar de terem sob sua gestão um território com um subsolo e mares cobertos de recursos capazes de satisfazer as necessidades da maioria, optam por concentrar as receitas para si, seus familiares e amigos ministros…

E tomados pelo medo de represálias, os cidadãos, em grande maioria, não reivindicam, preferem fugir para as geografias democráticas (sobretudo europeias), onde, apesar de serem estrangeiros, beneficiam de apoio social significativo, sendo que quando encontram um emprego têm a possibilidade de apoiar a esposa /os filhos), a mãe ou outros parentes deixados nos seus países.

No caso de Angola, por exemplo, é crescente o número de pessoas que saem do país com histórias falsas de perseguição política, visando a obtenção de asilo político em Paris e Berlim, sobretudo nestas duas capitais, de onde depois de acolhidos, beneficiam de protecção, alimentação, educação para os filhos e emprego.

Para que seus pedidos de asilo sejam aceites, estes cidadãos recorrem a jornalistas cá mesmo em Angola, de jornais privados e websites noticiosos, que tratam de produzir textos nesta vertente, sendo que a pessoa interessada anexa a página de jornal dessa falsa notícia ou cópia do texto produzido no site, ao processo de pedido de asilo, com objectivo de tornar real a sua história, tendo em conta que nestes países ocidentais levam muito a sério o trabalho dos jornalistas.

Entretanto, com o cerco a fechar-se na Europa, muitos africanos não resistirão ao novo normal, e ver-se-ão forçados a regressar aos seus países voluntariamente, sendo que outros serão trazidos à revelia.

Para determinados analistas, esse eventual regresso massivo poderá ser benéfico para o continente africano, tendo em conta que muitos dos africanos conseguiram adquirir uma formação de qualidade nestes países da Europa, constituindo-se assim numa massa crítica valiosa de que o continente necessita.

Com o possível regresso destes quadros, que desenvolveram uma visão ocidental sobre a mobilidade urbana, desenvolvimento agrícola, respeito pelos direitos humanos, democracia, e boa governação, os governos destes países africanos talvez ver-se-ão forçados a implementar mudanças, tendo em conta que há uma grande probabilidade de estes (regressados) juntarem-se aos movimentos de contestação às más práticas governativas. Igualmente, a abordagem dos partidos políticos na oposição poderá experimentar alterações.

A própria Europa sofre com a ascensão da extrema-direita

O aumento de zonas de influência da extrema-direita no velho continente não representa apenas um perigo para os imigrantes, sobretudo africanos, mas também para a manutenção das prerrogativas da União Europeia, da Comissão Europeia, bem como o funcionamento do seu sistema financeiro de integração.

A extrema-direita defende não só o acirramento das fronteiras e a imposição de barreiras à imigração, mas também o proteccionismo na economia, revelando-se assim contra as tendências de globalização e a integração económica dos países, além de desejarem fortalecer a identidade nacional, sendo que muito deles, apelidados de eurocépticos, exigem a saída de seus países da União Europeia e/ou mesmo o fim do organismo de integração regional e continental.

Muitos destes partidos também representam um perigo face às suas aproximações à Rússia e a Vladimir Putin, chegam inclusive a manifestar apoio pela intervenção russa, e contra os seus países que ajudam a Ucrânia a defender-se.