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Opinião

As makas de João Lourenço

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Numa altura em que os amores já quase se transformaram em desamores, e João Lourenço já nem exonerador implacável, nem a cara do sucesso do combate a corrupção, nem mesmo o tal PR que sai do salto e se deixa estar no trânsito ou concede entrevistas colectivas; Enfim, João Lourenço perdeu a máscara da esperança ou da inovação. Agora é mesmo só o nosso PR. Nem o combate a corrupção gera o fulgor que já gerou. Nem as suas exonerações fazem sentir que queremos andar pelos trilhos certos ou mesmo ele, que ontem foi o PR diferente, está mais disponível para acturar o trânsito ou responder as quase sempre inconvenientes questões dos jornalistas que são tão chatos que só perguntam aquilo que são os assuntos que interessam as massas.

É que já passaram quatro anos. E depois de quatro anos, a pré-disposição para isso e aquilo já não é a mesma. Ainda mais quando passas quatro anos a ter de responder as demandas de mais de 30 milhões de pessoas, dentre as quais, pessoas como Adalberto Costa Júnior, Abel Chivuvuku ou outro «rebelde» que ousa pensar diferente e não fica calado, fala contra.

Sobre muito stress, o nosso PR, soma e segue. E assim, como quem está sob forte pressão, vai decidindo, nem sempre com a lucidez que devia. A «barra» descomunal que deu ao líder do maior partido na oposição, chegando ao ponto de nem o convidar para um encontro para celebrar a paz e a reconciliação nacional, mostra isso e não só, mostra que falta lucidez, mas faltam bons conselhos também.

Se ficasse por isso, já era mau. Mas como um bom stressado, João Lourenço tomou decisões em cima decisões, erros atrás de erros (digo eu). É assim que decidiu por fazer um discurso a nação que nada trouxe além de palavras ao vento, apreciou ao longe enquanto o Tribunal Constitucional tirava ACJ da presidência da UNITA, certamente na certeza de que eliminava um adversário, mas nada mais fez senão atrasá-lo, só que ACJ vem atrasado, mas extremamente forte com o apoio da solidariedade das massas.

João Lourenço está agora a poucos dias de ter de concorrer ao segundo mandato como PR do partido, e já vai dando indícios de estar prestes a cometer outro erro. É que a dita abertura para outras candidaturas, esbarra na muita vontade dos «bajus» que não se limitam a apoiar o «candidato natural», como o chamam, mas também a boicotar por via do desencorajamento e sabe-se lá mais quê, dos militantes que pretendam assinar a lista do engenheiro António Venâncio, que manifestou intenção de concorrer a presidência do partido.

Está claro para todos de que não é JLO quem impede ou boicota a campanha ou projecto disso do adversário, mas «todas mães já sabem» que o «bajulismo e o lambe-botismo» de que ele disse que não gosta, nem queria, mas aceita, provocam isso, quase que de forma natural. E assim, João Lourenço e o partido, vão dando um tiro certeiro ao próprio pé.

É que a democracia interna era um enorme sinal de efectiva mudança do partido para os novos tempos. Sem democracia interna, o MPLA é um pequenote que teve a sorte de ter o poder, ficando neste capítulo anos atrás da UNITA. Aliás, talvez isso seja sabido no seio do MPLA, e talvez seja o mote de justificação de todo o esforço feito a fim de denigrir e afastar o ACJ que em verdade lhe digo, poucas ou nenhumas hipóteses reais tem de chegar a PR de uma Angola que ainda lida com questões tribais.

E como quando a cabeça não bate, paga o corpo, lá sadomasoquismo do MPLA e todo esforço para deixar cair quem não representava perigo real, deu vida a Frente Patriótica Unida (FPU), formada pela UNITA, Bloco Democrático e projecto político PRA-JÁ.  Esta sim, talvez seja um verdadeiro motivo de preocupação. Mas que surge por conta do comportamento ruinoso do próprio MPLA que lutou contra quem devia ignorar e o tornou importante.

É tanta maka, que parece que a única coisa bem feita que JLO fez nos últimos tempos, foi plantar mangas.

Por Ladislau Francisco 

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