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As Lideranças e as suas Decisões: o mais profundo desafio que Sunak terá que superar

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O terceiro Primeiro-Ministro britânico em menos de dois meses. De origem indiana, no seu primeiro discurso depois de ser indigitado, demonstrou claramente que, não esqueceu as suas origens, e, num vídeo posto a circular na internet, cumpriu um ritual hindu na porta 10 downing street, algo proibido, mas contra qualquer crítica possível, o fez. Contudo, deixou um indicador claro, é um conservador e respeita as suas origens, porém, o seu maior desafio é ser chefe de governo numa monarquia conservadora.

Mas quem é o substituto da ex Primeira-Ministra Liz Truss, que ficou no cargo aproximadamente 44 dias?

Rishi Sunak foi Chanceler do Tesouro, de 2020 a 2022, e Secretário-Chefe do Tesouro, de 2019 a 2020. Integrante do Partido Conservador e membro do Parlamento, desde 2015. Nascido em Southampton, 42 anos, filho de pais indianos que emigraram da África Oriental, Sunak foi educado no Winchester College. Posteriormente, estudou filosofia, política e economia no Lincoln College, em Oxford, e mais tarde obteve um MBA da Universidade de Stanford como bolseiro do programa Fulbright. Enquanto estudava em Stanford, ele conheceu a sua esposa Akshata Murty, filha de NR Narayana Murthy, o empresário bilionário indiano que fundou a Infosys. Depois de se formar, trabalhou no Goldman Sachs e depois como sócio do fundo de hedge The Children’s Investment Fund Management e Theleme Partners.

Importa realçar que, Akshata Murty tem uma forte influência na ascensão de Sunak, pois é filha de um dos homens mais ricos da Índia, o que deu-lhe uma certa vantagem nos negócios. Mas, provavelmente, é neste quesito que poderá despoletar algumas celeumas.

A política britânica, quiçá, por toda Europa, tem apresentado nos últimos tempos vários desafios, vários problemas, em função da conjuntura política que o mundo atravessa, fruto de crises económicas, provocadas por vários momentos, desde a questão do próprio BREXIT, Espionagem, COVID-19, Guerra Russo-Ucraniano, e, hoje, o mais profundo, as Lideranças e as suas Decisões. Portanto, o problema da Inglaterra e de muitos países da Europa, está muito a volta dos seus líderes, em tomar decisões SOBERANA.

“Não há dúvida de que enfrentamos um profundo desafio económico”, disse Sunak após a vitória. “Agora precisamos de estabilidade e unidade, e farei disso minha maior prioridade unir nosso partido e nosso país.”

Neste discurso, demonstra que conhece o problema e, actuará de modo a mitigar este dilema, mas será que terá todo o apoio popular em função das suas origens, tendo em conta que já há muitas vozes discordantes no seio da corte e do povo?

Boris Johnson, era dos favoritos para a disputa, admitiu que não poderia mais unir o partido após um dos períodos mais turbulentos da história política britânica, e não chegou a se candidatar.

O ex-chefe de fundos enfrentará grandes desafios, encarregado de reconstruir a reputação fiscal do Reino Unido por meio de profundos cortes de gastos, em meio ao aumento das taxas de energia, alimentos e hipotecas. Também vai presidir um partido que saltou de uma crise para outra nos últimos meses, muito dividido em linhas ideológicas, e o país que está ficando cada vez mais irritado com a conduta de seus políticos, aumentando o cepticismo político.

“O Reino Unido é um grande país, mas enfrentamos uma profunda crise económica”, disse Sunak.

Sunak é favor do Brexit, por esta razão, o seu programa de governo, consiste no facto de que queira “consertar nossa economia, unir nosso partido e entregar para o nosso país”.
Sobre a Irlanda do Norte, Sunak disse que, iria avançar com uma legislação projectada para anular unilateralmente o acordo do Brexit, enquanto insistira negociar com a União Europeia. O projecto de lei, actualmente no parlamento, foi fortemente criticado pela UE. Sobre o Brexit de forma mais ampla, promete “manter o Brexit seguro” e criou uma unidade governamental para rever as regulamentações da UE que ainda se aplicam à legislação britânica.

Em Julho, havia dito que estava orgulhoso de vir de uma família de imigrantes, mas acreditava que a Grã-Bretanha deveria controlar suas fronteiras e manteria um plano para deportar solicitantes de asilo para Ruanda, ou seja, esta ideia de deportação para o Ruanda, foi uma estratégia que ele participou e apoia, o que soa estranho para quem seus pais foram emigrantes. Será uma abordagem meramente política?

A Inglaterra está enfrentando uma combinação económica tóxica de recessão e taxas de juros crescentes. O Banco da Inglaterra está tentando controlar a inflação de dois dígitos, enquanto os consumidores enfrentam custos crescentes e renda real em queda.

A Grã-Bretanha tem que restaurar sua credibilidade financeira internacional depois que o plano da líder Liz Truss para cortes de impostos não financiados e uma garantia cara de preço de energia assustou o mercado no mês passado e forçou o Banco da Inglaterra a intervir.

Para equilibrar um défice orçamental piorado pelo aumento dos custos de empréstimos que a crise causou, o próximo primeiro-ministro provavelmente terá que supervisionar cortes de gastos e aumentos de impostos. Uma declaração fiscal que trata disso estava prevista para 31 de Outubro, criando vários impasses. Outro grande dilema é que, o governo enfrenta pressão para ajudar as famílias mais vulneráveis, mesmo com este doloroso aperto financeiro, com um salto nos custos hipotecários aumentando os preços dos alimentos, aquecimento e combustíveis causados pela Guerra na Ucrânia e outros factores globais, que continuam asfixiando aquela monarquia.

Como já foi ministro das Finanças, entre Fevereiro de 2020 e Julho de 2022, ele conhece bem o problema, e se uma monarquia aceita um chefe de governo nas condições em que ele assume, sem disputa clara, é porque o problema naquele reino é grave. A crise que atravessam, colocou a Grã-Bretanha no caminho da maior carga tributária desde a década de 1950. Tem estabelecido desde que foi o chefe das finanças, os maiores gastos públicos, mas prometeu mais disciplina e cortes de desperdícios.

Durante a campanha anterior pela liderança em Julho, ele criticou a agenda de corte de impostos de Truss, dizendo que ele só cortaria impostos uma vez que a inflação tivesse sido controlada. Na ocasião, ele traçou um plano para reduzir o imposto de renda de 20% para 16% até 2029.

Sunak apoiou a independência do Banco da Inglaterra e ressaltou a importância da política governamental trabalhar ao lado do banco central para controlar a inflação.

Um dos primeiros desafios de Sunak será mostrar que ele pode controlar um Partido Conservador que tem uma grande maioria no parlamento, mas está repleto de facções que diferem em questões chave como o Brexit e a imigração.

Impostos mais altos serão fortemente criticados por membros do partido, outros se vão opor a cortes de gastos em áreas-chave como saúde e defesa.

Vencer a disputa pela liderança é apenas o primeiro passo para unir um partido que destituiu seus dois últimos líderes por diferenças internas, e passou anos discutindo consigo mesmo sobre como deixar a União Europeia.

Sunak apoiou o Brexit, no referendo de 2016, mas ainda é visto por alguns à direita do partido como muito simpático à União Europeia.

A questão chave do comércio com a Irlanda do Norte ainda está a ser negociada. Sunak pode enfrentar pressão para conseguir um acordo que reescreve partes do acordo inicial de saída sem ceder a pedidos duradouros da UE sobre o comércio entre a Grã-Bretanha e a Irlanda do Norte.

Ele também enfrentará apelos para cumprir as promessas do governo de controlar a imigração no país, uma questão que muitos legisladores conservadores vêem como fundamental para conquistar os eleitores na próxima eleição.

Com todos estes desafios, podemos aguardar alguma aproximação com África ao mais alto nível? No dia 1 do mês corrente, o Presidente da República, João Lourenço, recebeu em audiência o ex Primeiro-Ministro Britânico Tony Blair. Será por intermédio de Sunak? Ou no pano de fundo, a tensão entre a RDC e o Ruanda, para a protecção dos seus interesses, sendo que Angola é o mediador? Veremos como se sairá o novo Primeiro-Ministro nos próximos dias.

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