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Politica

APN junta-se às vozes que repudiam detenção dos manifestantes

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Depois da UNITA, da CASA-CE, do PRS e várias figuras públicas nacionais terem criticado a forma como as forças da ordem pública reprimiram a manifestação do passado sábado, 24, em Luanda, a Aliança Patriótica Nacional (APN), na voz do seu vice-presidente, Adílson de Almeida, juntou-se aos demais condenando a actuação da polícia e a detenção de mais de 103 manifestantes.

O vice-presidente da APN, Adílson de Almeida, considerou, em entrevista ao Correio da Kianda, neste sábado, 31, que o governo, através das suas forças de segurança, prestou um mau serviço, por isso “condenamos todo e qualquer tipo de repreensão”, disse.

“Repudiamos a atitude do executivo em reprimir a manifestação e apelamos maior diálogo com a sociedade para se evitar situações do gênero”.

Adílson de Almeida disse que “é direito da juventude reivindicar os seus direitos consagrados constitucionalmente, mas, infelizmente, a juventude angolana tem sofrido constantemente esse atropelo dos seus direitos”. Para o político, a covid-19 “não deve servir como desculpa para justificar tudo e alguma coisa”, fazendo referência às “questões de emprego, habitação, formação a Juventude”.

O dirigente da APN acredita que se o executivo de João Lourenço tivesse política de antecipação, deveria resolver os problemas da juventude.

“Entendemos que a covid-19 cria um certo obstáculo, mas não pode servir como uma paragem obrigatória para todas as políticas sociais que a juventude, e não só, precisam”, frisou.

O dirigente político é de opinião que o espaço de diálogo aberto pelo Presidente da República com o ex-líder da UNITA, Isaías Samakuva, o presidente do CNJ, Isaías Kalunga e o arcebispo de Luanda, deve ser feito com todas as forças políticas e sociais para que se evite os mesmos incidentes.

“Esse diálogo com a sociedade deve continuar, não só, apenas fazê-lo quando há conflitos. É importante dialogar e esse diálogo deve ser feito com todos os partidos da oposição, incluindo os partidos sem assento parlamentar, para que não se possa excluir ou discriminar alguns por parte do executivo”.

Adílson de Almeida acredita que enquanto a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) e o Tribunal Constitucional, forem geridos por figuras ligadas ao partido governante, MPLA, ainda que haja um bloco dos partidos na oposição em Angola e elegerem um único candidato, será impossível vencer os próximos desafios políticos eleitorais.

“Nós, APN, não acreditamos que um bloco da oposição ou com um único candidato, a situação actual seja revertida. Para o político, as instituições ainda não são sólidas e continuam a depender do poder político de quem governa, por isso, não adianta que todos os partidos se juntem”.

“Se quem estiver a gerir a CNE for um indivíduo ligado ao partido, as irregularidades irão continuar. Se o Tribunal Constitucional continuar a receber orientação do executivo para qualquer determinada situação, o país não vai para frente. Sem a independência e a soberania destes dois órgãos será impossível”, finalizou.