África
Antigo vice-Presidente do Sudão do Sul apresentado perante a justiça
O ex-vice-Presidente do Sudão do Sul, Riek Machar, foi esta segunda-feira, 22, apresentado à justiça após ter sido acusado de “crimes contra a humanidade”, de acordo com a televisão pública sul-sudanesa, que transmitiu o evento ao vivo.
Segundo a SSBC, televisão pública sul-sudanesa, Machar foi apresentado na justiça junto com os outros sete acusados deste processo e um dos advogados do ex-vice-Presidente denunciou um “tribunal incompetente, que não tem autoridade”.
Machar, actualmente em prisão domiciliária, e outras sete pessoas, incluindo o ministro do Petróleo, Puot Kang Chuol, serão julgados por crimes como “homicídio, terrorismo, conspiração e traição”, no âmbito de ataques da milícia Exército Branco no estado do Alto Nilo.
A tensão aumentou desde março, quando a detenção de Machar reavivou receios de um novo conflito, quase sete anos após o fim de uma guerra entre os seus apoiantes e os do Presidente, Salva Kiir, que causou cerca de 400 mil mortes e quatro milhões de deslocados entre 2013 e 2018.
Um acordo de paz pôs fim ao banho de sangue em 2018, formalizando uma divisão de poder entre os dois políticos, mas o país continuou afectado por lutas de poder, corrupção e conflitos étnicos locais.
Em março, um ataque cometido pelo Exército Branco em Nasir matou mais de 250 soldados, um major-general e um piloto da ONU, segundo o Governo. A ONU estima que cerca de 900 pessoas morreram entre janeiro e abril deste ano em episódios de violência ligados à agitação política.
O ataque de Nasir foi seguido por várias semanas tensas no país, marcadas por ataques no nordeste e disparos de artilharia perto da capital. Outros combates isolados ocorreram mais recentemente no sul.