Politica
Angolanos vão poder entrar em Macau sem visto prévio após acordo de isenção mútua
Os cidadãos angolanos vão passar a entrar na Região Administrativa Especial de Macau sem necessidade de visto prévio, na sequência de um acordo de dispensa mútua de vistos a ser assinado brevemente entre os governos de Angola e de Macau.
A autorização para a celebração do acordo consta de uma ordem executiva assinada pelo chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai. O documento confere ao secretário para a Administração e Justiça daquela região, Wong Sio Chak, os poderes necessários para assinar o compromisso bilateral com o Governo de Luanda.
A medida é vista pela classe empresarial como um passo crucial para dinamizar as trocas comerciais. O presidente da assembleia-geral da Câmara de Comércio e Indústria Angola-Macau (CCAMO), Pedro Lobo, destacou que a isenção de vistos trará maior estabilidade e previsibilidade às viagens de negócios, eliminando constrangimentos enfrentados anteriormente pelos empresários nacionais.
Muitos homens de negócios angolanos enfrentavam dificuldades de trânsito em regiões vizinhas, como Hong Kong, devido à falta de vistos adequados. A facilitação surge num momento oportuno, considerando que o Ministério das Relações Exteriores de Angola anunciou recentemente o encerramento do Consulado Geral de Angola em Macau, devido a restrições orçamentais e à reestruturação de pessoal.
Necessidade de ligações aéreas diretas
Apesar do otimismo gerado pela decisão, a classe empresarial alerta que o impacto real da isenção de vistos dependerá da criação de ligações aéreas diretas. Atualmente, a ausência de voos diretos entre Angola e Macau, ou com as regiões vizinhas de Hong Kong e Cantão, continua a ser um desafio logístico para a circulação de pessoas e bens.
Com este acordo, Angola torna-se o quarto país de língua portuguesa a beneficiar da isenção de vistos para Macau, juntando-se a Portugal, Brasil e Cabo Verde. A iniciativa reforça o papel de Macau como plataforma de cooperação económica e comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, estabelecida formalmente em 2003.
