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Opinião

Angola: Unidade é a ponte

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Por: Henriques Depende

Ponto prévio:

A palavra Unidade vem do latim “unitas” que significa único ou indivisível, bem como  caracteriza a união de membros com uma determinada homogeneidade ou identidade. Cá entre nós, há um adágio popular que diz que “a união faz a força”. Entretanto, a união só se traduz na força quando a causa pela qual os unidos lutam é comum. Neste sentido, Angola é para nós a causa e o bem comum sobre a qual todos os angolanos devem lutar e defender.

Nota:

Neste exercício pedagógico, como é de praxe e porque a academia assim nos ensina, deixamos aberta a nossa opinião, para que os caros leitores tenham o direito de pensar diferente sobre ela. Porém, que essa diferença seja e tenha sempre a UNIDADE como epicentro, ou seja, o ponto convergente.
No dia 25 de Janeiro (dia da cidade de Luanda) do ano em tese, publicamos através do Jornal Digital Lil-Pasta News, um texto cujo título era “Eleições Gerais 2022: Como equilibrar as vontades para se realizar a justiça?”, retomado e publicado, também, o mesmo no dia seguinte (26.01) pelo Club-K. O referido texto visava analisar a organização do processo eleitoral em Angola, tendo como enfoque três elementos considerados de deveras importantes na organização e realização das eleições, nomeadamente a Liberdade, Justiça e a Transparência.

São importantes porque só com um processo LIVRE seria capaz de garantir o direito de opção ao cidadão e liberdade de escolha do candidato que lhe for favorito; é um processo JUSTO, aquele que assegura, antes da votação, a igualdade de tratamento dos concorrentes por parte das instituições públicas; e finalmente, somente com a TRANSPARÊNCIA se pode garantir a lisura de e em tudo no dia da votação.
No nosso entender, somente com a observação e materialização destes três elementos é que teríamos, seguramente, um processo eleitoral limpo, democrático e festivo, evitando deste modo quaisquer margens para reclamações, quer por parte dos partidos políticos concorrentes, quer por parte dos cidadãos eleitores, tal como acontecera nos pleitos anteriores.

Entretanto, as reclamações de alguns actores políticos concorrentes que deram espaço ao contencioso eleitoral apresentado por um desses actores, junto do Tribunal Constitucional nas vestes do Tribunal Eleitoral, o comportamento “meio desequilibrado” das instituições públicas envolvidas no processo eleitoral, as várias recomendações feitas pelos Observadores Eleitorais Nacionais e Internacionais, entre outras manifestações de protesto, mostram que não foi desta, com a organização das quintas (5ª) eleições na história da nossa jovem democracia, que aprendemos com a lição do passado para a realização do sufrágio com base nas regras democráticas. Contudo, não obstante a esses deslizes registados, os angolanos têm a obrigação de manterem a estabilidade política, social e económica, para que o país possa continuar.

A sede do poder ou a manutenção do mesmo não pode retirar aos angolanos, a capacidade do senso comum, nem a lógica do futuro e tampouco minimizar a memória do passado tão recente, um passado cheio de lições e odisseias, resultantes fundamentalmente das lutas pela conquista da nossa Independência e da Paz, respectivamente.

Destas lutas pela independência e pela paz, e porque as dificuldades não duram para todo sempre (Cfr. Eclesiastes 3:1), independente dos campos que opunham os então movimentos de libertação em 1975, e antigos beligerantes em 1992, quando os angolanos decidiram abraçar a UNIDADE e lutar pela causa comum (Angola), foi possível a assinatura dos Acordos de Alvor, em Janeiro de 1975, tendo culminado com a proclamação da Independência em Novembro do mesmo ano, assim como foi possível vencer-se uma guerra de irmão para irmão, que durou 27 anos, dando espaço à Paz com a assinatura dos Acordos de Paz, em Abril de 2002, bem como a criação do Governo da Unidade e Reconciliação Nacional (GURN), em Abril de 1997.

Todos esses feitos só foram possíveis porque os angolanos, com maior realce aos actores políticos, souberam interpretar o valor da UNIDADE, relegando para lá, os interesses individuais para colocar Angola em primeiro e acima de tudo.

Em outras palavras, a nossa história ensina-nos que nos momentos de discórdia e quando tudo parecer difícil de se resolver, UNIDOS os angolanos VENCEM.

Usar o passado para solucionar o presente é uma demonstração da sabedoria e reduz a ginástica na procura de soluções para debelar o presente e projectar o futuro. Os sábios têm sempre o entendimento de que as coisas não perdem o valor por pertencerem ao passado, aliás, há uma equação possível de se compreender na lógica de que, novo não é necessariamente uma virtude, nem a velhice constitui um defeito.

Portanto, se aplicarmos a mesma prática da UNIDADE, colocando o PAÍS em primeiro lugar, deixando de lado os interesses político-partidários, conseguiremos superar o diferendo eleitoral que opôs os angolanos desde a divulgação dos resultados das eleições gerais de 24 de Agosto de 2022, no sentido de se manter a estabilidade política e social do País. Uma eventual aposta na instabilidade não terá vencidos nem vencedores, apenas resultará, mais uma vez, no atraso de Angola. É preciso abraçar o diálogo e dialogar sempre.

Pois, enquanto não chegarmos a mestre na arte, não podemos prescindir das regras. Ou seja, enquanto não amadurecer a nossa democracia, não podemos nos abdicar dos caminhos para a sua efectividade, por isso, dialogar, dialogar e dialogar sempre.

Finalmente, para que os próximos cinco anos possam produzir a prosperidade e irmandade que se deseja, urge deixar alguns apelos às seguintes instituições:

PRESIDENTE DA REPÚBLICA:

A partir do dia que forem empossados, tornareis Presidente de todos os angolanos, passando a ser uma agulha na qual a linha segue, por isso, enquanto primeiro entre todos iguais, sede um bom exemplo para que Angola avança.

ASSEMBLEIA NACIONAL:

O poder pertence ao povo, mas é exercido através de instituições democraticamente eleitas, sendo o parlamento uma dessas instituições. Portanto, valorizem o mandato do povo, fazendo tudo em seu nome.

TRIBUNAIS:

Lembrem-se que o poder cria direito, mas só o direito limita o poder. Aplicam sempre a lei com base na justiça e obediência à vossa consciência. Pois desobedecer a lei e a própria consciência em obediência às ordens alheias é das piores coisas que um homem pode oferecer a si mesmo.

ÓRGÃOS DA DEFESA E SEGURANÇA:

Nas vossas mãos está a defesa e segurança do País e de todos os angolanos. Durante o exercício das vossas funções, saibam dizer não às ordens superiores a vossa consciência. Lembram-se sempre das palavras que emanam do julgamento que prestaram no fim da formação castrense.

IMPRENSA:

Informam sempre com a verdade, isenção, rigor e objectividade. Deve-se acabar com a cultura de inverdade instalada nos diversos órgãos de comunicação social, que tende a ocultar os factos, distorcer os dados e manipular as informações.

PARTIDOS POLÍTICOS:

Firmeza e muita serenidade, o foco é pela frente, procuram organizar-se mais para as competições políticas futuras.

JUVENTUDE:

para esta franja, vale lembrar o apelo do mais velho Lopo do Nascimento, aquando da sua saída da Assembleia Nacional, em Janeiro de 2014, dizendo que os jovens, não podem perder-se em discussões de infantários que apenas os dividem e impedem posições de ACÇÕES COMUNS em relação ao que é verdadeiramente importante para o futuro do País.

SOCIEDADE NO GERAL:

Quem saiu vencedor nas eleições gerais de 24 de Agosto, é Angola, por isso, ninguém neste momento deve deixar-se levar pela euforia, e nem deixar-se sucumbir ao desespero. Somos todos Angola e é por ela que devemos lutar rumo ao desenvolvimento sustentável e bem-estar social de todos.
Para o êxito destes apelos, devemos todos desafiar o nosso orgulho dando espaço à sabedoria. Ao contrário disso, estaremos a fazer um pobre substituto para a inteligência.
Por uma Angola Unida e de todos, Deus no comando, Jesus nas pilhas e os Ancestrais na vanguarda.

Que Deus abençoe Angola e os Angolanos!
Henriques Depende – Mestrando em Gestão e Direcção de Projetos de Cooperação Internacional pela Universidade Europeia do Atlântico, Espanha.

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