África
Angola recebe mandato para liderar consultas visando diálogo inter-congolês na RDC
A República de Angola foi oficialmente mandatada para conduzir consultas com todas as partes interessadas na República Democrática do Congo (RDC), com o objectivo de criar condições para a realização de um diálogo inter-congolês que permita avançar na resolução do conflito na região.
A decisão foi tomada esta segunda-feira, 9, em Luanda, durante uma reunião que contou com a presença do Presidente da República de Angola e Presidente em Exercício da União Africana, João Manuel Gonçalves Lourenço, do Presidente da RDC, Félix Antoine Tshisekedi Tshilombo, do Presidente do Togo e Mediador da União Africana, Faure Gnassingbé, e de Olusengun Obasanjo, representando os cinco ex-Chefes de Estado designados como Facilitadores do Processo de Paz da RDC pela União Africana.
Durante o encontro, as lideranças reafirmaram a necessidade de um cessar-fogo imediato, encorajando as partes em conflito a acelerar a aplicação dos mecanismos de verificação acordados em Doha, em 14 de outubro de 2025. Além disso, recordaram as decisões do Acordo de Washington de 4 de dezembro de 2025 e das Resoluções 2773 e 2808 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que tratam da retirada das tropas ruandesas do território congolês e da neutralização das forças da FDLR.
Com este mandato, Angola assume um papel central na mediação política na RDC, reforçando o compromisso da União Africana com a estabilidade regional e a paz duradoura no país vizinho.
“Na continuação dos esforços diplomáticos sobre a situação na RDC e na região”, os líderes reunidos em Luanda, “reafirmaram a prioridade de um cessar-fogo incondicional; a necessidade de um respeito verificável pelos compromissos assinados e mandataram Angola para realizar consultas com todas as partes congolesas interessadas tendo em vista um diálogo pacificado, conduzido e organizado pelas instituições da República, em respeito à Constituição”, destacou a Presidência da RDC.
O conflito no leste da República Democrática do Congo (RDC) intensificou-se drasticamente, marcado pela actuação do grupo rebelde M23 e tensões com o Ruanda desde 2022. Mais de 7 milhões de pessoas estão deslocadas, criando uma das maiores crises humanitárias mundiais, impulsionada pela disputa de minérios como ouro e Coltan. Esforços diplomáticos, como os mediados por Angola, tentam cessar-fogo.
A RDC acusa o Ruanda de intervenção directa, enquanto o Ruanda alega perseguição a Tutsis no Congo, gerando escaladas militares.
