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Angola não é rica! – Ladislau Neves Francisco

Ladislau Neves Francisco

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angola não é rica! - ladislau neves francisco - IMG 20180706 WA0013 1 - Angola não é rica! – Ladislau Neves Francisco

Tal como eu, muitos certamente cresceram com a forte convicção de que vivemos num país rico e belo. Essa ideia de sermos sortudos por ter nascido aqui, país rico e cheio de belezas naturais era sustentada em factos: As belezas naturais estavam em quase todo lado, desde Luanda no Miradouro da lua, as praias da ilha, as demais como a de Cabo ledo, ou nas muitas outras províncias, como em Malange a Serra da Leba, Quedas de Kalandula, no Huambo o morro do Moco, no Kwanza Sul as grutas do Sassa, as cachoeiras ou outros demais pontos que podiam com naturalidade ser citados aqui! E isto sem citar fauna e nem rios. Estes pontos nos fizeram acreditar e eram no fundo o nosso estofo para justificar a enormidade da beleza que o nosso país tinha e era.

A riqueza ficava consubstanciada nos muitos recursos naturais que temos e desde cedo aprendemos a saber que temos. É petróleo, é diamante, (estas eram e sempre foram as joias das joias). Mas o tempo passa, a idade aumenta, com ela o conhecimento e a melhor noção das coisas; este processo, leva a saber que petróleo e diamantes são só dois dos muitos recursos que temos: É ouro, é ferro, é terras férteis, é água, enfim, temos todo um universo de recursos e condição geográfica que potencia existência dos mesmos e de outros; Somos efectivamente ricos! Cada angolano, pelo menos os mais do centro urbano, tinha essa convicção. As condições citadas acima davam e sempre deram sustento a essa ideia, e para piorar, ainda tínhamos a tv e os mais velhos a transmitirem exactamente a mesma ideia.

Hoje, a minha geração está nos seus trinta anos, um pouco mais ou um pouco menos, mas estamos aqui nesse ponto da vida, e tal como antes, aprendemos outras coisas e tal como descobrimos que os nossos recursos não começavam e acabavam no petróleo e diamante, também descobrimos que ter recursos por si só não dá certeza de riqueza.

Apesar da educação deficiente, incapaz de bater de frente com outras realidades, aprendemos, e bem, que entre ter petróleo e transformar o petróleo em meio para vida melhor para o povo, há um caminho longo e que deve ser feito, (e digo ser feito), porque definitivamente ainda não foi feito.

A mesma educação deficiente, ensinou-nos a conhecer e comparar. É assim que também percebemos que em nada ou quase nada adianta ter uma Serra da Leba ou duas Quedas de Kalandula se não conseguimos tornar conhecida e mais que isso, um ponto de atração turística. Parece simples, mas só parece mesmo. Desde transporte a alojamento, são fundamentais, e isso, sem adicionar as questões arcaicas como são as da energia e da água.

As questões acima, nos mostram, sem qualquer tipo de anestesia, portanto, de forma dolorosa que o nosso país não é tudo aquilo que aprendemos a pensar que era. O nosso país não é especial, pelo menos nos trâmites que nos ensinaram a pensar que era. O nosso país não é rico! Angola não é rica! Tem potencial, mas definitivamente não é!  E descobrir assim como descobrimos, é decepcionante! Pior que essa descoberta sem preparação prévia, só mesmo descobrir que para piorar, há supostos compatriotas que nada mais fazem senão saquear os dinheiros que deviam ser usados para transformar esse potencial em realidade ou pelo menos diminuir a distância entre o país que temos e o país ideal.

Este certamente é o momento em que parou e pensou que se calhar estarei eu a ser demasiado duro. Mas se não é dos que resignou e aceitou as coisas, (sim, a nossa geração está dividida), não acredito que aceite e/ou consiga lidar com as muitas doenças sociais que volta e meia vão mostrando que existem, provocadas por coisas pequenas como por exemplo colocar as pessoas nas posições pelo mero amiguismo, ou andar sem documentos do carro porque sabe que tem a gasosa para oferecer no agente que o interpelar.

É que custa aceitar a ausência de meritocracia no desenvolvimento profissional por exemplo. Custa acreditar que existam pessoas com fortunas de 40 milhões de USD, ou pessoas que compram posições (1%) em instituições em mais 7 milhões (embora não seja contra os ricos), quando há quem nada tem nada para comer, quando as questões básicas não estão garantidas. E pior, quando esse que acumulou, tirou do que devia cuidar e usar para garantir a melhoria da condições sociais, portanto, aproximar o Estado real ao Estado ideal.

 

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