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Angola e FMI querem dívida abaixo dos 90 por cento do PIB

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A secretária de Estado do Orçamento, Aia-Eza da Silva, declarou, sexta-feira, que o Governo angolano e o Fundo Monetário Internacional (FMI) querem dívida pública abaixo dos 90 por cento do Produto Interno Bruto (BIP).

O Jornal de Angola cita, na sua edição deste sábado, declarações da secretária de Estado à agência de informação financeira Bloomberg, feitas à margem do Fórum Económico Mundial sobre África, que decorre na Cidade do Cabo.

Segundo a mesma fonte, a responsável mostrou-se “esperançada” em que o FMI aprove o desembolso da segunda tranche do Programa de Financiamento Ampliado de 3,7 mil milhões de dólares e convergente a fim de se travar a subida da dívida pública angolana.

“O FMI está preocupado com a dívida pública, que está em cerca de 90 por cento do PIB e deixou claro que esse rácio não deve ser aumentado”, disse Aia-Eza da Silva na entrevista.

A secretária de Estado mostrou-se “confiante” na aprovação da terceira análise à evolução do programa de assistência financeira e disse que o facto de Angola já ter recebido um total de 1,24 mil milhões de dólares, em menos de um ano, “foi um grande feito, porque representou muito trabalho”.

“Estamos a tentar dar o nosso melhor no lado económico e esta é a maneira principal de nos avaliarem. Por isso, esperamos que a próxima tranche do empréstimo possa também ser desembolsada”, acrescentou a secretária de Estado.

A dívida pública tem aumentado significativamente nos últimos anos devido à quebra das receitas petrolíferas em moeda externa, o que levou a uma depreciação do kwanza e a uma subida da inflação.

Em Junho, o FMI considerou que a dívida pública de Angola tinha ficado nos 91 por cento face ao PIB, em 2018, e que que este valor é sustentável desde que não existam grandes choques na economia.

“Apesar de um aumento projectado para 2019, a dívida de Angola é considerada sustentável, mas com pouco espaço de manobra para grandes choques”, lê-se na análise detalhada do FMI à primeira revisão do programa de assistência que Angola acordou no final do ano passado e que foi divulgada no fim de Junho.

O FMI assume que os rácios que medem a dívida pública face ao PIB e os que medem o custo de servir a dívida face às receitas “vão continuar altos durante o programa”, advertindo que isso “deixa pouco espaço para acomodar grandes choques ou endividamento que vá além das projecções do programa”.

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