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Opinião

Angola e a produtividade

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Frequentemente, vamos ouvindo notícias sobre os níveis de produtividade e competitividade de Angola: de que Angola necessita de apostar na produtividade, de que os Angolanos trabalham muito mas não são produtivos, salientando-se que maiores níveis de produtividade garantem maiores níveis de competitividade.

Angola é, em termos de competitividade, o país mais atrasado em relação aos seus parceiros da SADC segundo um relatório global de competitividade do Forum economico mundial, divulgado no ano passado.

Segundo os dados recolhidos por esta organização, Angola está em 140º lugar num total de 144 países analisados, sendo que os mais bem classificados da Região são as ilhas Maurícias (39º), África do Sul (56º), Botswana (74º), e a Namibia (88º), Tanzânia (121), Suazilandia (123º), Zimbabué (124º), Madagascar (130º). Importa realçar que Corrupção, Burocracia excessiva, atraso em investimentos em infra-strutura e ineficiência da força de trabalho são alguns dos factores que dificultam o ambiente de negócios em Angola.

A situação Angolana no que respeita à sua classificação nos rankings de produtividade não é a melhor, nem a desejável.

Os factores que poderão influenciar os níveis de produtividade de uma empresa são os custos com a matéria-prima, infraestruturas e equipamento e a mão-de-obra.

Ao mesmo tempo que se fala de produtividade, fala-se de competitividade e da necessidade de sermos mais produtivos para podermos competir à escala na Região, do continente e a escala global, relacionando assim produtividade com competitividade.

Uma empresa poderá ter aumentos de produção porque, por exemplo, trabalhou mais horas ou porque foi feito um investimento numa máquina tecnologicamente mais avançada, garantindo assim uma maior oferta de produtos, mas não quer dizer que sejamos mais competitivos, pelo menos ao nível do preço. Podemos colocar no mercado maiores quantidades de produto, mas a preço superior, não garantindo assim níveis de competitividade (por exemplo, se competirmos com a África do Sul e China). Podemos até colocar no mercado maiores quantidades de produto a um preço inferior ao praticado no mercado, mas sem qualquer valor acrescentado, por exemplo, ao nível da inovação do produto, e aí não estaremos também a ser competitivos.

Por outro lado o fortalecimento das instituições, é essencial para a promoção da competitividade. Nesse sentido, é necessário enfrentar questões como desperdício de dinheiro público, corrupção, má gestão pública, falta de transparência na formulação de políticas públicas, falta de independência das instituições reguladoras e baixa qualidade do ensino, com ênfase excessiva em humanidades em detrimento da formação técnica.

Apesar dos esforços que tem estado a ser desenvolvido na arena do sector público, a burocracia excessiva é identificada pelos agentes económicos como um dos principais problemas para um bom ambiente de negócios no país. A morosidade na tramitação dos processos do investimento privado nas instituições públicas constitui um grande constrangimento para o progresso da iniciativa privada. Custos com tempo, elevado número de procedimentos, associado a morosidade fazem com que os custos de transacção sejam elevados.

A implementação de reformas governamentais com vista a remoção de barreiras burocráticas constitui a chave para a criação de um ambiente de negócios mais competitivo em Angola.

Apesar de todos os problemas institucionais, Angola é um país atraente para investimentos, é um país favorável aos negócios tanto das empresas estrangeiras quanto nacionais, e a estabilidade politica que o país resultante da paz conquistada desde 2002 tem contribuido para isso.