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Angola: Dossie da história de um país que se fez na determinação dos homens livres

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As relações entre os Estados Unidos e Angola, desde a década de 1960 até aos anos posteriores à independência nacional, sempre foram conturbadas. Meses depois do Golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, em Portugal pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), em virtude do derrube do Regime Fascista de MARCELLO CAETANO, MFA instaurou um governo provisório liderado por uma Junta de Salvação Nacional (JSN) que dentre outras prioridades estabelecia, a transferência do Poder da Metrópole (Portugal) para as colónias de forma pacífica, directa e imediata. A Central Intelingence Agency (CIA) passou grande parte de 1974, a tentar persuadir o Comité 40, que autorizava todas as operações secretas, pensasse num envolvimento mais activo dos Estados Unidos em Angola, mas esta tentativa foi sem êxito. O Comité 40, não tinha concedido a aprovação. Com isso a CIA só podia limitar á aumentar um pouco os subsídios ao HOLDEN ROBERTO/FNLA, entre 10.000 e 25.000 Usd. Esta decisão foi tomada em Julho de 1974 sem informarem TOM KILLORAN, na altura Cônsul Geral dos EUA em Luanda. Apesar de se tratar de uma quantia substancial, chegava para passar a «mensagem» de que a CIA fazia parte da corrida para a influenciar os acontecimentos em Angola.

Em 15 de Janeiro de 1975 iria dar-se a assinatura pelos três movimentos de libertação nacional, em Portugal os Acordos de Alvor, onde se estipulou consensualmente a data da proclamação da independência de Angola para 11 de Novembro de 1975, sendo que a transferência da autoridade seria para o governo eleito realizado em acto eleitoral previsto inicialmente para Outubro de 1975. Ora, para os EUA com apoio da URSS ao MPLA que era entre os três movimentos um dos candidatos certo a ocupar o Poder em Angola, anteciparam a «jogada política». Contudo, General SPÍNOLA (Portugal – MFA), RICHARD NIXON (EUA) e JOSEPH MOBUTU (Ex-Zaire/RDC) na Ilha do Sal, em Cabo-Verde, tentaram assentaram as conversações em 15 de Setembro de 1974, onde se construiu uma aliança política partilhada entre HOLDEN ROBERTO (UPA/FNLA), DANIEL CHIPENDA (Revolta do Leste, uma facção dissidente do MPLA), JONAS SAVIMBI (UNITA) e as demais forças políticas recém-formadas na altura com intuito de controlarem o poder político total em Angola. No final dos anos 1980, a diplomacia norte-americana em Angola assentava numa lógica de Guerra Fria, tendo como uma das preocupações principais o envio de sinais, políticos ou militares, a Moscovo. Quer a Administração Ford, a de Carter ou a de Reagan consideraram o reconhecimento oficial da Republica Popular de Angola (RPA), mas nenhuma delas deliberou a seu favor. Todavia, estas Administrações invocavam factores de política interna para manterem o «status quo», ou seja, tinham receio de que o reconhecimento do Governo de Luanda pudesse ser interpretado pelo Congresso e pela opinião pública, como uma atitude de fraqueza perante a União Soviética.

O Secretário de Estado norte-americano, JOHN FOSTER DULLES, o arquitecto da política externa norte-americana na era da Administração Eisenhower e, continuada pelas outras Administrações, entendia que os nacionalistas africanos, eram um factor de instabilidade promovida pela URSS e, África constituía um ponto periférico. Apoiavam-se os poderes coloniais europeus em África por receio de estes serem, literalmente substituídos (os seus Governos influenciados) pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) pós independência. Em Novembro de 1981 e Janeiro de 1982, em Rabat, o Secretário da Defesa, CASPAR WEINBERGER, o seu assessor para os Assuntos de Segurança Internacional, FRANCIS WEST, FRANCIS CARLUCCI, Secretário Adjunto da Defesa, o Almirante BOBBY RAY INMAN, Director da CIA e JAMES WILLIAM, Director da Agência dos Serviços Secretos da Defesa (DIA), avistaram-se com JONAS SAVIMBI. O principal meio de apoio da Administração Reagan à UNITA que iria até 1985. Essa luz-verde dada pela Administração Reagan incentivou ainda os encontros entre o Ministro dos Negócios Estrangeiros da África do Sul, PITER BOTHA e o Ministro da Defesa, DANIE MALAN, com oficiais de altas patentes dos Serviços Secretos faziam parte da estratégia do apoio à UNITA.

Para além do diplomático que Administração Reagan forneceu à UNITA, também utilizou canais secretos de modo à poder providenciar auxílio militar, tudo isto fazendo parte de uma rede de política paralela norte-americana, construída como base para combater a expansão pseudo-comunista em Angola (no fundo o Estado angolano e MPLA nem tão pouco chegaram privar à ideologia comunista). Com isso, Estados Unidos da América (EUA) «encorajava explicitamente» a África do Sul, a Arábia Saudita, Marrocos, o Zaire (RDC), França e Israel a ajudar JONAS SAVIMBI e a sua organização. A ligação com a África do Sul foi estabelecida por CASEY, ao avistar-se com os sul-africanos em 1983 para tratar do envio de armas, fornecidas pelos EUA, aos Contras (revolucionários) da Nicarágua. Foi assim então, que ficou montado um «esquema» para permitir ao EUA enviar armas para a África do Sul através das Honduras, Bélgica e Suíça, armas essas que posteriormente seriam entregues às FALA/UNITA.

Em 1984, a Companhia Southern Air Transport, apoiada pela CIA, fez um contrato com o Governo angolano para a entrega de equipamento destinado aos trabalhadores da Empresa Nacional de Diamantes de Angola (ENDIAMA), que tinham sido suspensos por causa da guerra e, de volta, transportava diamantes. Ao mesmo tempo que procediam às entregas, os pilotos lançavam armas, fornecidas pela África do Sul à UNITA. E, uma parte deste acordo tripartida entre EUA, África do Sul e UNITA, consistia em os EUA fornecerem armas à África do Sul e em contrapartida, receberem informações sobre a evolução da situação político-militar em Angola, a partir dos Serviços Secretos sul-africanos.

A 18 de Fevereiro de 1986, o Sub-Secretário de Estados Unidos para os Assuntos Africanos, CHESTER CROCKER, tinha testemunhado perante o Comité de Relações Exteriores do Senado, reconhecendo que a Administração Reagan havia decidido fornecer ajuda militar encoberta à UNITA, especificando que nesse pacote estariam incluídos mísseis anti-tanques e anti-aéreos. E, em Janeiro de 1986, durante a visita de JONAS SAVIMBI a Washington, travou conhecimentos com GEORGE BUSH, que em 1989 sucederia a RONALD REAGAN a presidência dos EUA. Com isso, Administração Bush, manteve o apoio e compromissos da Casa Branca com JONAS SAVIMBI e a UNITA. Depois dos Acordos de Nova Iorque, em 1988 e posteriormente a multipartidarização de Angola, com os Acordos de Bicesse, em 1990 a 1991. Após a realização das primeiras eleições multipartidárias, em 1992 e, em 1993, já na altura da Administração Clinton, foi decisivo nas relações angolano-americana. Foi um ano cheio de desapontamentos e frustrações, mas também de conquistas e esperanças renovadas, portanto, para o Governo angolano, a continuação de um conflito armado brutal e desumano, desencadeado pela UNITA depois de as Nações Unidas (NU) reconhecerem os resultados das eleições em Angola, em 1992. Inviabilizava a implementação dos seus programas para uma Angola nova. E a Administração Clinton, estava já cansada de política de «linkage» e, durante os dois mandatos, o Presidente WILLIAM JEFFERSON CLINTON (Bill), percebeu da crescente importância de vertente económica na definição da política externa americana em Angola. E as empresas americanas que actuam em Angola no ramo petrolífero, viriam pressionar o Presidente BILL CLINTON, a reconhecer o Estado angolano, caso que viria acontecer depois do dia 25 de Março de 1993, contribuindo desta forma para a promoção do processo de paz e melhorando as relações diplomática entre Angola e Estados Unidos de América.

 

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* Politólogo

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