Sociedade
Analistas defendem maturação do sistema após crise dos combustíveis
A cobertura mediática da recente crise de combustíveis em Angola foi alvo de críticas de analistas que participaram no programa Círculo da Kianda, da Rádio Correio da Kianda. Os especialistas consideram que houve fragilidades na forma como alguns meios de comunicação social abordaram o fenómeno e defendem uma maior maturação institucional na gestão e comunicação de crises.
Em análise esteve a escassez de combustíveis registada na semana passada, que gerou constrangimentos em várias zonas do país e reacendeu o debate sobre a capacidade de resposta do sistema de abastecimento.
Para o analista Luís Victor, a crise expôs falhas de antecipação por parte dos operadores do sector, defendendo que a Sonangol Distribuidora deveria ter activado previamente um plano de contingência para mitigar os impactos de eventuais desequilíbrios no mercado. O especialista apontou ainda factores externos, como a instabilidade em rotas estratégicas do comércio internacional, nomeadamente o Estreito de Ormuz, como elementos que exigem maior preparação preventiva.
Já o analista Paulo Santareno defendeu que o problema deve ser interpretado numa perspectiva mais ampla, sublinhando a necessidade de “maturação geral do sistema”. Na sua leitura, a resposta às crises deve ser mais estruturada, com maior coordenação entre instituições e uma comunicação pública mais responsável, capaz de evitar leituras precipitadas e amplificação de tensões.
O debate acabou por colocar em evidência duas dimensões centrais: a gestão operacional do abastecimento de combustíveis e o papel dos meios de comunicação social na forma como enquadram e difundem informações em contextos de pressão, com os intervenientes a convergirem na necessidade de maior robustez institucional e comunicacional no país.
